A indústria têxtil faz o seu ponto de virada quando o assunto é ESG. No rol de inovações está o investimento em certificações, práticas sustentáveis, produção consciente e em respeito às condições de trabalho dignas, com destaque para o mercado brasileiro.
Em Minas Gerais, a Amipa (Associação Mineira dos Produtores de Algodão) encerrou o ciclo de certificação da safra 2025/2026, totalizando 13 propriedades rurais aprovadas no Programa Algodão Brasileiro Responsável (ABR) e estas estão mantendo, simultaneamente, o reconhecimento internacional da Better Cotton Initiative (BCI).
A certificação atesta o cumprimento de etapas regulamentares de Verificação para Diagnóstico da Propriedade (VDP) e de melhoria com a implementação do Plano de Correção de Não Conformidades (PCNC), conduzidas com suporte técnico direto da entidade (mais informações).
“A certificação conjunta ABR e BCI exige 90% de conformidade nos critérios estabelecidos, com obrigatoriedade total nos Critérios Mínimos de Produção. Ofertamos os modelos de documentos e a assessoria técnica para que as propriedades adotem os protocolos exigidos pelo mercado”, explica Luis André de Queiroz, consultor técnico da Amipa.
Vale salientar que o programa foi criado pela Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) em 2012 e tem como pilar central o trabalho digno, ou seja, o alinhamento com a CLT e a Norma Regulamentadora 31 (NR-31, referente a Saúde e Segurança do Trabalho no meio rural), além de critérios de boas práticas agrícolas, saúde do solo e destinação de resíduos.
Nordeste conta com hub de reciclagem
Já em relação à reciclagem têxtil, uma parceria entre a varejista de moda Riachuelo e a desenvolvedora Cotton Move resultou no primeiro hub de reciclagem têxtil em escala industrial do Nordeste e, com ele, uma coleção de jeans feita com 100% algodão, sendo com um quarto de fibra reciclada.
Instalado desde setembro na unidade fabril da rede, a Guararapes, em Natal (RN), o sistema faz a triagem das aparas resultantes da fabricação das peças, que, posteriormente, são encaminhadas para a empresa Ficamp, em João Pessoa (PB), em que é feita a desfibragem e transforma o resíduo em fio novo, retornando à fábrica Guararapes, que o transforma em tecido.
A Cotton Move, por sua vez, está há dois anos desenvolvendo a plataforma de circularidade, cujo resultado envolve a transformação de 181 toneladas de algodão em novos fios, até o momento, e o “portfólio mais amplo de fios reciclados disponível no mercado brasileiro”, informam as empresas, à Exame.
Por Keli Vasconcelos – Jornalista
Foto: Acervo – Amipa




