Vai um cafezinho? Pois essa pergunta está cada vez mais em alta na mesa dos brasileiros: segundo levantamento recente da Associação Brasileira da Indústria do Café (Abic; mais informações), as vendas desse produto no varejo aumentaram 2,29% de janeiro a agosto em relação ao mesmo período de 2025, o equivalente a 13,69 milhões de sacas de 60 kg, uma recuperação em meio a preços mais baixos neste ano.
E a cafeicultura com práticas sustentáveis é a grande alavanca para o setor, por meio de muita pesquisa e cooperação, como as iniciativas do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Espírito Santo (Sebrae-ES) e das Cooperativas Agrária dos Cafeicultores de São Gabriel (Cooabriel) e Agropecuária Centro Serrana (Nater Coop), que capacitam produtores para manejos mais sustentáveis.
“A cada novo curso e novo aprendizado, também ocorreu uma nova mudança na produção do nosso café”, comemora Braz Veloso Pianissoli, produtor rural e empresário, em entrevista à Gazeta.
Proprietário do Café Veloso, no Sítio da Barra, em Nova Venécia (ES), o gestor passou a incluir métodos conscientes em todas as etapas de produção do produto, atendendo às especificações do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e da OFI (Olam Food Ingredients), gigante global da cadeia de alimentos e que conta com uma fábrica de café solúvel em Linhares.
Graças a essa bagagem, a marca foi reconhecida por certificações, como o selo 4C de qualidade e produção sustentável. Tais práticas envolvem a rastreabilidade de ponta a ponta e a adoção de biológicos no cuidado do cultivo.
Veloso frisa que com o uso da multiplicação de fungos contra insetos, preservou-se as plantas e reduziu-se em 70% a quantidade de agrotóxicos, melhorando a produção e a qualidade do café e até avilta a possibilidade de abrir um negócio voltado aos biológicos.
Mais árvores, mais café sustentável
Outras boas histórias são as das Fazendas Caxambu e Aracaçu, pertencentes há mais um século à família Chaves de Brito, em Três Pontas (MG), e há quase duas décadas os integrantes se dedicam a conectar produção responsável com meio ambiente.
Juntas, as propriedades somam 380 hectares, dos quais 215 são ocupados pelo café. Com quase 30% preservada, a terra é um mix de reserva legal, áreas de preservação permanente (APPs), proteção de nascentes e bosques. Destaque para o programa Vamos Plantar, criado pela família, que por ano acrescenta 1 mil árvores na localidade.
Plantas de cobertura, insumos biológicos e acompanhamento da microbiologia do solo fazem parte do pacote de atividades de produção consciente, o que resultou no Prêmio Fazenda Sustentável da Globo Rural na categoria Grandes Propriedades deste ano.
“Queríamos deixar marcas emocionais importantes na vida das pessoas e marcas ecológicas muito positivas nesse pedaço de chão”, celebra a proprietária e empresária Carmem Lúcia Chaves de Brito, conhecida por Ucha, que figura a terceira geração de produtores nessas fazendas.
Por Keli Vasconcelos – Jornalista
Foto: Gustavo Coetti




