É inegável as consequências dos fenômenos climáticos extremos já fazendo parte do cotidiano das pessoas, especialmente quando o assunto é a falta de luz. Eis a oportunidade para a resiliência energética, instrumento essencial para adaptação e manutenção nas cidades, bem como mitigar prejuízos, além de reforçar a importância da preservação desse bem tão importante.
O tema mobiliza órgãos como Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Ministério de Minas e Energia (MME) e Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) com medidas de preparação e reforço do Sistema Interligado Nacional (SIN). E as projeções para os próximos meses colocam no radar a combinação entre temperaturas elevadas, períodos de menor umidade e maior ocorrência de climas extremos.
Também é unanime a afirmação que as energias renováveis são alternativas pertinentes para a resiliência. Os olhares do setor não se voltam somente para a expansão da capacidade instalada, mas também para transmissão, armazenamento, flexibilidade operacional e novas formas de oferta e demanda.
Alternativas estruturais
Marcely Sondermann, Customer Sucess do Climatempo, ao Gazeta da Semana, destaca o fenômeno El Niño, que não afeta o setor elétrico brasileiro de maneira unilateral, mas vai impactando ao longo das estações do ano e os territórios com suas diversidades, alterando, por exemplo, padrões de chuva, circulação atmosférica e, consequentemente, a disponibilidade de recursos energéticos.
“Em um sistema com participação crescente de renováveis, compreender antecipadamente essas mudanças é fundamental para planejar geração e operar de forma mais resiliente e segura”, afirma a especialista.
Já Sumara Ticom, assessora da Diretoria de Planejamento do ONS, frisa ainda a necessidade de medidas de adaptação, já que tais eventos climáticos podem limitar o tempo disponível para manobras operacionais.
“A falta de adequação da infraestrutura e eventuais atrasos na implementação de soluções técnicas ampliam os riscos de interrupções no fornecimento”, pontua, ao Além da Energia.
Estratégias para evitar interrupções
Maysa Calmona, gerente de Comunicação e Marketing da Tecnogera, empresa de locação de geradores de energia e chillers, explica que a continuidade do fornecimento passa a integrar o planejamento de operações que dependem de equipamentos elétricos, sistemas digitais, refrigeração e processos que não podem ser interrompidos.
“Uma resposta eficiente começa antes da ocorrência, com o mapeamento das cargas críticas e a definição de como a operação deverá funcionar durante uma eventual interrupção. Isso reduz o tempo de reação e permite direcionar os recursos para os pontos mais importantes”, completa, ao Estadão.
Por Keli Vasconcelos – Jornalista
Foto: Evening_tao/Magnific




