Sustentabilidade

Obras de infraestrutura no Brasil estão na trilha da sustentabilidade

Obras de infraestrutura no Brasil estão na trilha da sustentabilidade - Portal Tec News

Seja para pavimentar uma estrada, para manutenção de meios de transporte ou para construir uma estação de metrô, a sustentabilidade já fundamenta a maioria das obras brasileiras.

Na expansão da Linha 2-Verde do metrô de São Paulo, por exemplo, a Amanco Wavin, responsável pela tecnologia de reabilitação subterrânea, preservou a destinação de 5 bilhões de litros de esgoto, evitando que esse volume fosse lançado no meio ambiente sem tratamento adequado.

A solução de Métodos Não Destrutivos (MND) foi utilizada na intervenção de duas tubulações sob o Córrego Aricanduva, na zona leste da capital paulista, permitindo recuperar a infraestrutura de saneamento sem grandes escavações na superfície.

Durante 20 dias de trabalho, a tuneladora conhecida por Tatuzão atravessou 80 metros sob o córrego onde passam duas tubulações de grande porte da Sabesp, com diâmetros de 1,2 metro e 2,1 metros, que transportam o esgoto de diferentes redes da região. “Como a escavação ocorreu a cerca de 10 metros abaixo do leito do córrego, era preciso garantir a continuidade da operação da rede, das condições do entorno e a impossibilidade de executar grandes escavações”, explica Fabiana Castro, diretora de Infraestrutura e Novos Negócios da Amanco Wavin.

O feito é inédito em uma obra metroviária no Brasil, completa a especialista: “A união da nossa experiência com a capacidade técnica do consórcio responsável pela obra, a CML2, resultou na operação do sistema de desvio provisório (bypass) em condições seguras para reabilitação estrutural do coletor, sem extravasamentos”, pontua.

A tecnologia “espiralada”, Spiral Wound Pipe Rehabilitation (SPR), reabilitou o coletor e utilizou a própria tubulação como estrutura de segurança para absorver volumes excepcionais durante períodos de chuva, informa a empresa.

 

Desafios e oportunidades

 

Concessões, Parcerias Público-Privadas (PPPs) e investimentos sustentáveis podem acelerar o desenvolvimento, atrair capital e reduzir riscos no território brasileiro, com destaque para saneamento, resíduos, mobilidade e infraestrutura social, combinando negócios de impacto e atração de aportes. É o que aponta o recente diagnóstico da consultoria EY (íntegra neste link).

Em números, apenas no saneamento, mais de R$ 84 bilhões foram investidos entre 2019 e 2023, com a iniciativa privada já presente em 1.820 municípios. Na mobilidade urbana, por sua vez, o Brasil ainda necessita de 2,5 mil quilômetros adicionais de transporte de média e alta capacidade, unindo redução de emissões a ganhos de eficiência, informa a consultoria.

“Infraestrutura sustentável não é mais escolha entre propósito e retorno, mas sim a combinação que define quem atrai capital e reduz risco em um país com um dos maiores hiatos de infraestrutura do mundo”, afirmam os autores.

Por Keli Vasconcelos – Jornalista

Foto: Divulgação