A iluminação, segundo a Agência Internacional de Energia, responde por 15% do consumo global de eletricidade e no Brasil, 23% da fatia engloba as residências, de acordo com o Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica (Procel). Pensando na economia – no bolso e no planeta – as concessionárias estão promovendo ações de troca de lâmpadas a seus clientes.
Em Pernambuco, a Neoenergia, por meio de unidade móvel, realiza gratuitamente a troca de lâmpadas usadas e ineficientes por novas em LED, que economizam em mais de 80% no consumo, além de oferecer a inscrição na Tarifa Social de Energia Elétrica (TSEE), e renegociação de faturas. O destaque fica justamente para essa tarifa (TSEE), porém as estimativas da concessionária apontam que 1,5 mi de famílias têm direito ao desconto social na tarifa de energia elétrica no Distrito Federal e em cinco estados (BA, PE, SP, MS, RN e DF), mas não estão cadastradas.
Coleta de lâmpadas
O benefício, criado pela Lei nº 15.235/2025, em vigor em 2026, e já foi aplicado automaticamente na conta de 632 mil clientes. “Estamos comprometidos em orientar os clientes sobre como obter o benefício e ajudá-los a fazer a transferência de titularidade. Queremos que todas as pessoas que precisam do desconto tenham acesso mais rapidamente possível”, conta Marcelo Arnaud, superintendente de Gestão de Receita da Neoenergia.
Já em São Paulo, o Serviço Municipal de Saneamento Ambiental de Santo André (Semasa) e a Enel promovem também trocas gratuitas de lâmpadas nas Estações de Coleta, os famosos ecopontos. Cada família pode trocar até 20 lâmpadas, e em etapas anteriores mais de 1,7 mil novas foram entregues à população.
“Ela integra o Programa de Eficiência Energética da Enel Distribuição São Paulo, regulado pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), que tem como objetivo estimular o uso consciente da energia e promover a substituição de equipamentos menos eficientes por alternativas mais modernas”, frisa comunicado.
A ação também é feita em outras cidades em SP e os modelos antigos são encaminhados para destinação ambientalmente adequada, evitando a contaminação de solo e água.
De olho no descarte
Por falar nisso, são inúmeras as iniciativas em prol do descarte correto, como o caso da Reciclus – Associação Brasileira para a Gestão da Logística Reversa de Produtos de Iluminação –, que disponibiliza pontos de entrega no território nacional, e versões itinerantes, estas direcionadas principalmente a municípios com menos de 25 mil habitantes.
A entidade alerta para o descarte correto, mas também salienta que a jornada sustentável começa na aquisição do produto. Camilla Horizonte, gerente Executiva da Reciclus, conta que nem toda lâmpada contém mercúrio e conhecer essa diferença é o primeiro passo para um consumo mais consciente. “Os modelos mais atuais, como as de LED, não apresentam esse elemento e na hora da compra, o ideal é optar pelas que não contêm mercúrio ou outras substâncias nocivas ao meio ambiente e à saúde pública”, esclarece.
Terras raras
Um grupo de pesquisadores do Instituto de Química da Unesp de Araraquara (SP/IQ-Unesp) miram na chamada mineração urbana para sanar a demanda por terras raras, assunto em voga por conta do uso desses incrementos nas composições tecnológicas. Presentes em celulares, computadores e em lâmpadas, que podem parar no lixo, as substâncias contidas neles podem ser reaproveitadas para novas aplicações.
“Desenvolvemos mecanismos para tratar rejeitos de equipamentos eletrônicos, que possuem terras raras em grandes quantidades, e procuramos extrair e purificar essas substâncias”, explica, ao Jornal da Unesp, o professor Sidney José Lima Ribeiro, um dos estudiosos do tema no IQ-Unesp.
Por Keli Vasconcelos – Jornalista
Foto: Freepik/Magnific




