Reciclagem

Dia Mundial da Reciclagem: indústria assume protagonismo no Brasil

Dia Mundial da Reciclagem indústria assume protagonismo no Brasil - Fitec Tec News

No dia 17 de maio, celebra-se o Dia Mundial da Reciclagem, uma data instituída pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), para conscientizar a sociedade sobre a gestão de resíduos e impulsionar a transição para a economia circular. Em um cenário global pressionado pelas mudanças climáticas, a data ganha contornos de urgência. No Brasil, o setor industrial e as empresas da cadeia de valor assumem o protagonismo desse debate, buscando soluções tecnológicas e de logística reversa capazes de elevar os índices nacionais de reaproveitamento de materiais e mitigar o impacto ambiental do consumo em massa.

Instituído oficialmente no final da década de 1990, o Dia Mundial da Reciclagem surgiu para consolidar os conceitos dos “Três Rs” (Reduzir, Reutilizar e Reciclar). O grande objetivo da celebração é transformar a percepção pública e corporativa sobre o descarte, mostrando que o resíduo não é o fim de uma linha de produção, mas o início de um novo ciclo econômico. Trata-se de fechar o ciclo de vida dos produtos, economizando água, energia e matérias-primas virgens que seriam extraídas da natureza.

Confira nesse especial em celebração à data, por que o reaproveitamento de materiais é a engrenagem que dita o novo ritmo do mercado nacional.

 

Reciclagem local e global

Globalmente, o panorama da reciclagem apresenta contrastes profundos. Enquanto países como a Alemanha e a Coreia do Sul são referências mundiais, reciclando e compostando mais de 50% de seus resíduos urbanos por meio de políticas rigorosas de separação na fonte, o Brasil ainda enfrenta gargalos estruturais. De acordo com o Panorama dos Resíduos Sólidos da ABREMA, o país gera mais de 81 milhões de toneladas de resíduos urbanos por ano, mas o índice de reciclagem formal e efetivo flutua entre 4% e 8%, fortemente dependente do trabalho de catadores e cooperativas. O potencial econômico desperdiçado em aterros e lixões passa da casa dos bilhões de reais anualmente.

Para reverter essa realidade e avançar no setor, a contribuição da indústria e das empresas da cadeia de valor no Brasil é considerada a principal engrenagem de transformação. Sob as diretrizes da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), o setor corporativo tem investido massivamente em inovação de embalagens (ecodesign) para facilitar a triagem, além de firmar parcerias estratégicas para fortalecer os sistemas de logística reversa. A sinergia entre convertedores de plástico, indústrias de bens de consumo, marcas de eletroeletrônicos e recicladores é o que viabiliza a criação de um mercado robusto para a matéria-prima reciclada.

Promover a reciclagem vai além do cuidado com o meio ambiente; representa inovação, segurança jurídica e competitividade de mercado para as organizações modernas que adotam práticas ESG (Ambiental, Social e Governança). O avanço brasileiro rumo a metas mais ambiciosas depende diretamente de novos investimentos em automação de triagem e no fortalecimento das redes de coleta. O Tec News reforça a importância desse ecossistema, celebrando o 17 de maio como um chamado à ação coletiva por um futuro industrial sustentável.

 

Vitrines do futuro

Iniciativas que transformam o cenário da reciclagem no Brasil

A urgência da transição para a economia circular já se traduz em resultados práticos e inspiradores em solo nacional. Da eficiência fabril ao engajamento do consumidor, passando pelo setor público e pelo terceiro setor, diferentes elos da sociedade demonstram que o reaproveitamento de resíduos é um motor de transformação econômica e social.

 

Cerbras: indústria cerâmica atinge 94,5% de aproveitamento e conquista o Selo Lixo Zero

No setor de revestimentos, a Cerbras transformou a gestão ambiental em pilar estratégico de sua operação industrial. Na fabricação de porcelanatos, a empresa reintegra cacos cerâmicos, pó de argila, borra de esmalte e resíduos minerais não contaminados diretamente em sua linha de produção. Essa prática evitou que a matéria-prima virgem fosse extraída e reduziu drasticamente o descarte.

Uma auditoria recente comprovou o sucesso da estratégia: a companhia alcançou o impressionante índice de 94,5% de desvio de resíduos de aterros, destinando quase a totalidade de suas sobras para reciclagem ou coprocessamento industrial. O desempenho rendeu à Cerbras a certificação internacional “Empresa Lixo Zero” e a recertificação do Selo ESG da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC) — sendo a única do segmento a obter tal distinção.

“As medidas ambientais reduzem custos industriais, mitigam riscos regulatórios e fortalecem a nossa competitividade em mercados exigentes”, destaca Camila Freitas, coordenadora ambiental da Cerbras, reforçando que as práticas ESG hoje orientam desde as decisões de fábrica até a conscientização de fornecedores e clientes na construção civil.

 

Nespresso: incentivo à circularidade e logística reversa que geram valor

Pioneira em cafés porcionados, a Nespresso celebrou o Dia Mundial da Reciclagem aproximando a sustentabilidade do cotidiano dos consumidores. Entre os dias 14 e 17 de maio, as boutiques da marca promoveram uma ação de engajamento direto: a troca de cápsulas usadas (de qualquer marca) por brindes exclusivos, como chocolates de edição limitada e toalhas de barista.

Com mais de 400 pontos de coleta no país e um sistema de logística reversa que inclui o envio gratuito pelos Correios, a Nespresso garante acesso à reciclagem para 100% de seus clientes no Brasil. No Centro de Reciclagem da marca, em Valinhos (SP), a separação entre o alumínio e a borra de café é feita de forma totalmente mecânica, sem o uso de água. O metal reciclado ganha nova vida em janelas, bicicletas e até em embalagens de cosméticos da Natura, enquanto a borra é convertida em biometano, uma fonte de energia limpa.

Foto: Nespresso/Divulgação

“Investimos de forma consistente em evoluir nossos processos do campo ao pós-consumo”, afirma Marina Gargiulo, Gerente de Branding & Sustentabilidade da Nespresso. O compromisso é nítido nos números: o volume de cápsulas recicladas no país saltou de 498 toneladas em 2020 para 773 toneladas em 2025, um avanço que pavimenta o caminho para a meta global de atingir 60% de reciclagem até 2030.

 

Poder Público: TJTO mobiliza gabinetes e promove o “Dia D” da Coleta Seletiva

A conscientização ambiental também avança nas estruturas do Poder Judiciário. A Comissão de Logística Sustentável do Tribunal de Justiça do Tocantins (TJTO), liderada pela desembargadora Ângela Prudente, realizou uma forte mobilização interna nos gabinetes de magistrados e servidores para monitorar indicadores do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e incentivar hábitos sustentáveis.

O tribunal monitora mais de 170 indicadores ambientais e colhe frutos de projetos inovadores como o “Você é Luz”, focado em eficiência energética, que reduziu o consumo elétrico institucional em mais de 6.300 kWh no último ano. Outras iniciativas consolidadas incluem usinas fotovoltaicas e o reaproveitamento de águas cinzas.

Foto: TJTO/Divulgação

Para expandir esse impacto para além dos gabinetes, o TJTO programou o “Dia D da Coleta Seletiva Solidária” para os dias 21 e 22 de maio, convidando toda a força de trabalho a destinar plásticos, papéis e metais limpos para cooperativas parceiras. “A palavra convence, mas o exemplo arrasta”, resume Luciene Dantas, coordenadora de Gestão Socioambiental (Cogersa/TJTO).

 

Instituto Reciclar: o impacto social da sustentabilidade e a força da agenda ESG

Celebrando 30 anos de atuação, o Instituto Reciclar consolida o elo mais nobre da economia circular: a inclusão social. O relatório anual da instituição revelou que, em 2025, o programa de formação integrada registrou 94% de índice de empregabilidade entre os jovens atendidos, gerando um incremento médio de 70% na renda de suas famílias.

O modelo pedagógico do Instituto une o aprendizado técnico ao desenvolvimento de habilidades socioemocionais (como pensamento analítico e comunicação), atendendo exatamente ao que o mercado corporativo busca em profissionais modernos. Dos jovens qualificados em 2025, 67% são mulheres e 65% são negros, posicionando o projeto como uma ferramenta real de diversidade e equidade.

O impacto da entidade se estende ainda à base da educação brasileira: por meio do Programa de Apoio à Educação Pública (PAEP), o Instituto Reciclar capacitou cerca de 90 mil professores da rede pública, alcançando indiretamente mais de 500 mil estudantes em todo o país. “Preparamos jovens em situação de vulnerabilidade para o mercado de trabalho, ampliando as possibilidades de transformação de suas realidades e de suas famílias”, conclui o diretor executivo Carlos Henrique Lima.

Foto: Instituto Reciclar

Aqui está a reescrita do release da Tetra Pak, perfeitamente alinhada ao mesmo padrão jornalístico, fluído e focado em valorizar a ação. Este trecho está pronto para ser incorporado como mais um subtópico de destaque na sua matéria do portal Tec News.

 

Tetra Pak: Guia prático une prefeituras e cooperativas para profissionalizar a reciclagem

Com mais de 25 anos de atuação sólida na cadeia de reciclagem brasileira, a Tetra Pak deu mais um passo estratégico para fortalecer a gestão de resíduos sólidos no país. Em parceria com a Rede Sul e com a consultoria ambiental Circoolar, a companhia lançou o Guia Prático da Coleta Seletiva para Prefeituras e Cooperativas. O documento chega ao mercado com o objetivo de aproximar gestores públicos e catadores, oferecendo diretrizes claras para desatar nós jurídicos e viabilizar a contratação formalizada das cooperativas pelos serviços ambientais prestados aos municípios.

“O nosso objetivo é trazer conteúdo informativo para que cooperativas e municípios estejam preparados para trabalhar juntos. A falta de conhecimento técnico e legal não pode ser um empecilho para que as cidades contratem esses serviços”, defende Valéria Michel, diretora de Sustentabilidade para o Brasil e Cone Sul da Tetra Pak, destacando que a circularidade exige uma atuação conjunta e perene entre os setores público, privado e a sociedade.

Para as cooperativas, o material funciona como um mapa de maturação institucional, orientando desde os requisitos mínimos de infraestrutura, gestão comercial e conformidade fiscal até os caminhos para acessar linhas de crédito e obter uma remuneração justa. “Saber como evoluir para que uma cooperativa renda o máximo possível é essencial para o meio ambiente e para garantir melhores condições de trabalho e renda aos catadores”, afirma Teniles Basílio, o Carioca, líder da Rede Sul e presidente da Conatrec, que participou ativamente da construção do guia.

Já para o gestor público, a ferramenta disponibiliza um checklist diagnóstico com 37 perguntas essenciais sobre marcos regulatórios, operação e engajamento da população, apontando os erros mais comuns e as soluções práticas para evitá-los. O apoio institucional para a divulgação do projeto fica por conta da Associação Brasileira de Embalagens (ABRE).

Foto: Tetra Pak/Divulgação

O lançamento do guia coroa um histórico robusto de investimentos da multinacional. Apenas em 2025, a Tetra Pak destinou R$ 27,1 milhões em ações de sustentabilidade no Brasil, envolvendo desde melhorias ecoeficientes em suas fábricas até o fomento à reciclagem pós-consumo das embalagens longa vida. Por meio dessas iniciativas, cerca de 230 cooperativas de catadores foram diretamente beneficiadas em todo o território nacional. Além disso, a empresa segue transformando realidades municipais com o projeto Recicla Cidade (em parceria com a ONG Espaço Urbano) e estimulando a venda em rede, permitindo que pequenas cooperativas unam forças para comercializar materiais em maior escala e por preços mais competitivos.

 

Ecovassouras e Suzano: reciclagem de PET gera renda e impulsiona a economia circular em Belém

A potência da reciclagem também se manifesta no desenvolvimento socioeconômico de comunidades locais, provando que o descarte correto pode transformar realidades. Um exemplo concreto vem de Belém (PA), no bairro da Sacramenta, onde o projeto Ecovassouras completa três anos de atividade consolidando-se como uma vitrine de economia circular e inclusão produtiva. Atendendo diretamente 12 famílias da região, a iniciativa retira mensalmente cerca de 3,5 mil garrafas PET do meio ambiente, transformando-as em cerca de 40 dúzias de vassouras ecológicas de alta durabilidade.

Para potencializar essa operação, o projeto conquistou recentemente um avanço estrutural decisivo: a ampliação e modernização de seu espaço de trabalho. O novo ambiente foi viabilizado com o apoio da Suzano, maior produtora mundial de celulose e referência em práticas sustentáveis. Além de garantir mais conforto e segurança para os participantes, a melhoria na infraestrutura é o passo estratégico que faltava para elevar a capacidade de produção do grupo.

“Esse apoio e o reconhecimento do nosso trabalho são fundamentais. Com a nova estrutura, pretendemos adquirir mais uma máquina de desfiamento e criar escalas de horários, inclusive para o turno da noite, acelerando as entregas”, comemora Janice Leite, representante da associação de moradores local. Ela destaca que a parceria com a multinacional foi além das obras físicas: “A presença da Suzano trouxe novas capacitações, o aporte para maquinários e uma visibilidade na imprensa que faz toda a diferença para o nosso crescimento”.

Sediado na Associação de Moradores da Área 2, o Ecovassouras ultrapassa a manufatura de itens utilitários, funcionando como um polo vivo de educação ambiental na Amazônia. O projeto materializa o conceito de reinserção de resíduos na cadeia de valor, mitigando a poluição urbana e convertendo passivos ambientais em emancipação financeira.

Foto: Suzano/Divulgação

“Apoiar projetos que unem economia circular e geração de renda nas comunidades onde atuamos é uma forma de gerar valor compartilhado. O Ecovassouras demonstra, na prática, como as parcerias entre a iniciativa privada e a comunidade podem construir impactos positivos, profundos e duradouros para a sociedade e para o planeta”, conclui Diego Carrara, coordenador de Relacionamento Social da Suzano.

Por Sofia Jucon – Redação Tec News

Foto da abertura: Cerbras/Divulgação

 

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