Na corrida pela descarbonização e transição energética, o Brasil está se firmando como protagonista, especialmente no que se refere ao desenvolvimento de soluções para o hidrogênio verde (H₂V), com empresas e governos cada vez mais focados em investimento, pesquisa e inovação para a economia de baixo carbono.
Segundo Fernanda Delgado, diretora executiva da Associação Brasileira da Indústria do Hidrogênio Verde (ABIHV), o país tem condições de liderar esse processo. Ela projeta que a partir de 2029 inicia-se a produção escalável de amônia, metanol, fertilizantes e hidrogênio.
“Nossa carteira de projetos, com FID [Final Investment Decision] previsto entre 2026 e 2029 em hubs como Pecém (CE), Suape (PE), Bahia e Rio Grande do Norte, consolida o país entre as geografias mais promissoras do mundo para produção de amônia e hidrogênio verde”, descreve, em artigo ao InfoMoney.
Investimentos em hidrogênio
Em Minas Gerais, a Cemig concluiu um roadmap de ações voltadas à produção, ao consumo e à atração de investimentos de hidrogênio verde, com projetos selecionados recentemente em parcerias estratégicas com o SENAI e o acordo de cooperação técnica com o centro de H₂V da Universidade Federal de Itajubá (UNIFEI).
Denis Mollica, diretor de Inovação e Sustentabilidade da concessionária de energia, comenta que a conclusão do Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI), com um roteiro direcionado ao hidrogênio verde, reforça a vocação do estado na corrida pela liderança na transição energética nacional.
“A Cemig se coloca como articuladora desse movimento, conectando empresas, universidades e governo em torno de um objetivo comum: transformar o potencial renovável do estado em inovação, empregos qualificados e novas oportunidades de negócios. Estamos certos de que o hidrogênio verde será um vetor estratégico não apenas para descarbonizar, mas também fortalecer a economia mineira”, afirma o gestor.
Já a unidade de Cutelaria, em Carlos Barbosa (RS), da Tramontina será a primeira a implementar uma planta de produção de hidrogênio verde para abastecer a frota de empilhadeiras e veículos. De acordo com matéria da EXAME, as operações estão previstas para 2027 com a expectativa de ultrapassar 4 mil toneladas anuais, cujo gás gerado na planta será encaminhado às fábricas de Carlos Barbosa, Garibaldi e Farroupilha.
Com capacidade inicial de 1,25 MW, a planta produzirá até 500 quilos diários de hidrogênio verde de alta pureza, salienta Osvaldo Steffani, conselheiro-consultivo da unidade Cutelaria da Tramontina.
Por Keli Vasconcelos – Jornalista
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