Além do abastecimento de água, o esgotamento sanitário é outro desafio profundo enfrentado no Brasil. Segundo o último Censo Demográfico (IBGE, 2022), 62,5% da população brasileira mora em domicílios conectados à rede de coleta de esgoto, mas ainda com restrições de acesso a saneamento básico, sendo maiores entre jovens, pretos, pardos e indígenas.
Nesse sentido, a implantação de tecnologia é essencial para que a universalização avance, como o caso da A 2Neuron, startup brasileira especializada em manutenção preditiva baseada em inteligência artificial (IA), e a concessionária BRK Ambiental, para a implantação de uma plataforma digital para checagem de estações elevatórias de esgoto consideradas críticas.
Denominado Ultronline, o sistema tem como foco aumentar a confiabilidade dos ativos, reduzindo riscos operacionais e ampliar a segurança das equipes de manutenção. A solução, já presente em outras concessionárias, como a Sabesp, utiliza sensores não invasivos instalados diretamente nos painéis elétricos (MCCs), diminuindo intervenções em ambientes insalubres e tornando o processo de monitoramento mais seguro e ágil.
“Estamos falando de um serviço essencial. Antecipar falhas significa evitar interrupções, reduzir custos emergenciais e mitigar riscos ambientais e nosso objetivo é transformar dados elétricos em inteligência prática para a operação. Conseguimos entregar um diagnóstico completo sem intervenção direta na máquina, aumentando a segurança das equipes e fornecendo informações estratégicas em tempo real”, endossa Gabriel Coimbra, CEO da 2Neuron.
Tema no Congresso
A Comissão de Desenvolvimento Urbano da Câmara dos Deputados aprovou, em dezembro último, projeto que cria o Programa Nacional de Inovação e Sustentabilidade no Saneamento Básico. O projeto em tramitação tem como premissa fomentar nos estados e municípios o desenvolvimento de novas tecnologias para o tratamento de água, esgoto e resíduos sólidos, com o apoio de subsídios, financiamentos e incentivos fiscais.
“As inovações não só abrem novas oportunidades de trabalho qualificado, como também impulsionam o desenvolvimento de tecnologias nacionais e fortalecem o ecossistema de pesquisa no país”, comenta, à Agência Câmara de Notícias, o relator, deputado Hildo Rocha (MDB-MA), cujo documento aprovado é um substitutivo ao Projeto de Lei 4950/24, do deputado Amom Mandel (Cidadania-AM).
Por Keli Vasconcelos – Jornalista
Foto: BRK Ambiental/Divulgação




