Mesmo com um desfecho não muito promissor em relação ao fim do uso de combustíveis fósseis, assunto discutido durante a COP30, especialistas são unânimes em afirmar que, gradualmente, esse meio poderá ser descontinuado por conta dos avanços da transição energética.
“O fato de não ter saído o mapa do caminho para a eliminação dos combustíveis fósseis é uma questão de tempo”, salienta a cientista Thelma Krug, vice-presidente do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) por oito anos, de 2015 a 2023, e coordenadora científica da COP30.
A especialista ressalta, porém, que não há uma estimativa de quando isso ocorrerá, mas há movimentos de países dependentes de combustíveis fósseis para adaptações. “À medida que os países em desenvolvimento vão tendo mais oportunidades a migrar para energias renováveis e para uma energia de mais baixo carbono, a demanda vai cair”, acrescenta a especialista, no 37º Congresso de Iniciação Científica (CIC) da Universidade Estadual Paulista (Unesp), ocorrido recentemente em Águas de Lindóia (SP).
Enfrentamento aos combustíveis fóssesi
Tatiana Oliveira, líder de Estratégia Internacional da ONG WWF, enfatiza que a eliminação gradual dos combustíveis fósseis não é um tema abstrato de negociação, mas um pilar para o alcance da meta de 1,5°C, a proteção da biodiversidade e a equidade social.
Vale ressaltar que representantes ministeriais de mais de 80 países declararam apoio para um mapa (roadmap) proposto pelo Brasil, segundo o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), replicado pela Agência Brasil, para o fim dessa dependência.
“Isso não se resolve como mágica. É preciso financiamento, diversificação econômica, que se multipliquem as bases tecnológicas, para fazermos esse percurso. Estamos há 30 anos atrasados, mas temos pressa”, disse a ministra Marina Silva, durante o Mutirão Call for a Fossil Fuel Roadmap, que reuniu uma coalizão de países do Norte e do Sul Global, em Belém.
Por Keli Vasconcelos – Jornalista
Foto: Freepik




