Uma pesquisa da Eletros, entidade que representa as principais indústrias de eletroeletrônicos do Brasil e do mundo, mostra que o mercado nacional de geladeiras tem um faturamento anual de R$ 16 bilhões e uma média de 5 milhões de unidades vendidas. Uma das partes mais sensíveis nessa experiência de compra é qual destinação dar para o equipamento antigo e eis que surgem iniciativas para que a logística reversa seja exitosa e ambientalmente responsável.
Esse processo é coordenado pela ABREE — Associação Brasileira de Reciclagem de Eletroeletrônicos e Eletrodomésticos (confira a participação da entidade no SITEC Ambiental), entidade gestora sem fins lucrativos responsável por estruturar essa logística reversa no país, com 7 mil pontos de recebimento distribuídos em pelo menos 1,5 mil municípios brasileiros.
“Os pontos de recebimento são pensados para facilitar a vida das pessoas, proporcionando um local correto para o descarte. Sem o consumidor, o ciclo da reciclagem simplesmente não se inicia”, afirma Fernando Rodrigues, engenheiro ambiental e gerente de Relações Institucionais da ABREE.
Atenção à descontaminação das geladeiras
Um dos pontos mais críticos, após o recebimento o objeto por empresas homologadas, que realizaram o transporte adequado até unidades de triagem ou recicladoras credenciadas, é a desmontagem e descontaminação. Segundo a entidade, a retirada dos gases refrigerantes presentes no sistema de refrigeração, como os clorofluorcarbonetos (CFCs) e os hidroclorofluorcarbonetos (HCFCs), comuns em modelos mais antigos, além dos hidrofluorcarbonetos (HFCs), presentes em equipamentos mais novos, quando liberados de forma inadequada, podem danificar a camada de ozônio (no caso de CFCs e HCFCs) e, consequentemente, impulsionam o aquecimento global.
Com a descontaminação concluída, os materiais (metais ferrosos e não ferrosos, plásticos rígidos, vidros e espumas) são fragmentados, triados e encaminhados para sua respectiva cadeia produtiva e quando não há viabilidade técnica ou econômica de reaproveitamento, os resíduos recebem outra destinação ambientalmente adequada, conforme a legislação vigente, acrescenta da ABREE.
Economia na compra de um novo item
Algumas marcas e concessionárias também se mobilizam para a circularidade desse equipamento, como o caso da Whirlpool, detentora das marcas Brastemp, Consul e KitchenAid, que firmou parceria com a indústria química Dow e o Instituto Akatu. Segundo as partes, o programa permitirá o agendamento gratuito da retirada de geladeiras com mais de 30 kg diretamente nas residências, com operação nacional que abrange mais de 5,5 mil municípios e apoio de parceiros logísticos, incluindo os Correios. Em contrapartida, o consumidor poderá receber descontos na aquisição de uma nova (mais informações aqui).
Outra ação já acontece no Paraná, o programa “Trocou, Economizou”, da concessionária de energia Copel, e beneficiou mais de 16 mil lares. Os consumidores recebem descontos na compra de novos refrigeradores, em substituição de equipamentos antigos que consomem maior quantidade de energia. Além da troca, quatro lâmpadas são substituídas por tecnologia LED, mais econômica.
“O consumo médio das residências paranaenses, nos últimos 12 meses, foi de 191kWh e estima-se que o das geladeiras responda por uma parcela entre 8% e 31% deste montante, dependendo da configuração dos eletrodomésticos que o cliente tem. Quando renovamos essa quantidade de eletrodomésticos, estamos ajudando a promover um uso mais eficiente da energia elétrica, com reflexos positivos a todo o sistema”, comemora José Arthuro Teodoro, supervisor do Programa de Eficiência Energética (PEE) da Copel, ao Bem Paraná.
Por Keli Vasconcelos – Jornalista
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