O biometano ganha ainda mais protagonismo na chamada “terceira safra” do agronegócio brasileiro: a conversão de resíduos orgânicos, como dejetos provenientes da suinocultura, para esse item, além de ativos ambientais e biofertilizantes, está impulsionando, consequentemente, essas duas áreas (combustível e agro).
Uma das precursoras nesse negócio, a H2A Bioenergia inaugurou recentemente em Campos Novos (SC) a primeira usina da América Latina de biometano a partir de dejetos suínos certificada pela ANP, com investimento superior a R$ 60 milhões. Um de seus diferenciais está na parceria com os produtores rurais: em uma ponta, o agricultor entra com a matéria-prima e a área; já na outra, a empresa aporta gestão, tecnologia e engenharia.
Segundo a companhia, os resultados são diretos, haja vista que o produtor obtém receita gerada pela venda do biometano e dos ativos ambientais. “O produtor brasileiro já domina a produtividade agrícola; agora entramos na era da produtividade energética. O biometano é uma safra contínua, previsível e monetizável, não depende de clima e gera receita direta com a venda da molécula e com a potencial geração de créditos de descarbonização, como CBIOs”, conta Adilson Teixeira Lima, diretor-presidente da H2A Bioenergia.
Os planos da H2A envolvem investimentos de R$ 2,9 bi para implantar 22 novas plantas nos próximos cinco anos no Brasil e na América Latina.
São Paulo desponta no segmento de biometano
Um estudo da Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade), divulgado pelo Jornal da USP, o Estado de São Paulo alcançou a segunda colocação na produção de biometano no país, ficando atrás apenas do Rio de Janeiro.
O levantamento aponta ainda que a capacidade produtiva diária paulista cresceu quase dez vezes, entre 2022 e março de 2026, passando de 57 mil para 558 mil metros cúbicos. Nesse quesito, São Paulo se tornou líder no ranking nacional, posto adquirido desde 2024.
E os números atuais são promissores: segundo a Companhia Ambiental do Estado (Cetesb), as licenças ambientais para tais projetos chegaram a 235% entre 2024 e 2025, distribuídas majoritariamente no interior e outras regiões do estado (94%), com apenas 6% na capital (2025).
Ao todo, 81 cidades já concentram iniciativas de biometano, informa o Jornal Cana.
Por Keli Vasconcelos – Jornalista
Foto: Divulgação – H2A Bioenergia




