O mais recente relatório da Universidade das Nações Unidas (UNU, íntegra aqui), chama a atenção para um tema essencial: a água. De acordo com a matéria, o planeta entrou em uma era de falência hídrica, ou seja, a escassez deixou de ser pontual para se tornar uma condição estrutural em várias regiões do globo.
Diante desse contexto, uma das formas defendidas por especialistas abrange o reúso, ou comumente conhecido por “água reciclada”. Trata-se da reutilização que também passa por um tratamento para ser usada em processos industriais e na irrigação agrícola, uma forma possível de reduzir a pressão sobre mananciais estratégicos, preservar reservas naturais e reorganizar a utilização do recurso dentro de uma lógica circular.
“O estudo da UNU mostra que a escassez não é mais um evento isolado, mas uma tendência estrutural. Soluções como a reciclagem devem ser incorporadas à infraestrutura básica de saneamento como parte essencial da segurança hídrica de cidades, indústria e agricultura”, comenta Márcio José, CEO da Aquapolo Ambiental, fruto de uma parceria entre a empresa GS Inima Industrial e a concessionária SABESP.
A empresa opera desde 2012 e até o momento já forneceu mais de 140 milhões m³ de água de reúso para industriais na região do ABC Paulista, cujo volume seria suficiente para abastecer uma cidade de 300 mil habitantes pelo período de 13 anos. Com uma capacidade de produção de até 1m³ por segundo, considerada uma das maiores no mundo, a tecnologia permite substituir parte da demanda por água potável em processos produtivos.
Regramentos nos condomínios
Tramita na Câmara dos Deputados o Projeto de Lei 6715/25, que estabelece aos condomínios residenciais, comerciais ou mistos que utilizem sistemas de reúso de água a mensalmente liberar dados sobre dessa operação, e devem estar disponíveis nas áreas comuns ou em plataformas digitais.
Sem a necessidade de laudos complexos ou que gerem ônus ao poder público, as informações precisam, por exemplo, divulgar o volume de água reutilizado por mês em metros cúbicos (m³) e a destinação de uso, como irrigação, descarga de banheiro ou limpeza.
“A prática de reutilizar a água vem aumentando nas cidades brasileiras, mas há uma falta visibilidade para que os moradores compreendam o impacto ambiental positivo e a eficiência. A transparência permite a compreensão do real desempenho dos sistemas, tornando a gestão mais confiável e participativa”, comenta, à Agência Câmara de Notícias, o autor da proposta, o deputado Amom Mandel (Cidadania-AM).
Por Keli Vasconcelos – Jornalista
Foto: Vinh Dav; divulgação




