O plástico PET, tão presente na vida dos consumidores, é um dos principais símbolos da economia circular no Brasil, cuja capacidade de reaproveitamento consolidou-se: de acordo com a associação que representa o setor, o país reciclou 410 mil toneladas dessas embalagens pós-consumo (ABIPET, 2024), volume 14% superior ao levantamento anterior e um dos maiores já registrados.
Muito embora haja avanços, a indústria ainda opera com capacidade superior ao volume efetivamente processado, reflexo das limitações de coleta seletiva no país. É o que aponta a Bela Fatia, empresa com início das operações para maio deste ano, cujo foco é reaproveitamento para ser reinserido em diferentes setores, sendo que uma parte volta a virar novas embalagens e outra abastece a indústria têxtil, chapas industriais e aplicações químicas.
Ernesto Chayo, CEO da empresa, ao IG, salienta que além de reciclar o plástico, o foco dessa transformação está na redução de poluição e, consequentemente, na melhoria da saúde das pessoas, fortalecendo a indústria nacional e gerando emprego e reduzindo o impacto ambiental das cidades.
Cenário global do PET
Já outro desafio é o de âmbito global: em função da disparada do petróleo por conta do cenário de conflitos entre EUA e Irã, o setor já sente o aumento nos preços. A resina PET acumula alta superior a 25%, e para Auri Marçon, presidente executivo da Associação Brasileira da Indústria do PET, novas altas ainda são esperadas, em torno de 30%, porém não está previsto um desabastecimento no país.
O executivo, ao Valor, salienta que a maior parte do mercado trabalha com contratos de médio prazo, amortecendo os repasses imediatos das oscilações aos compradores. Segundo o setor, o país importa em torno de 30% das resinas e esse percentual saltou para cerca de 46% entre 2024 e 2025, sendo atribuído à competição aos produtos estrangeiros e não por conta das guerras.
Um futuro promissor
A união entre reaproveitamento do PET e educação ambiental tem como foco a potência, a exemplo do projeto Plástico com Futuro (saiba mais), uma parceria entre a organização socioambiental Ecolmeia, BASF e Parnaplast, que realizam oficinas práticas na cidade de Araucária (PR).
Um telhado feito de garrafa PET instalado no bairro Estação e o coletor de garrafas PET em forma de capivara, no Parque Cachoeira, espaço disponibilizado pela prefeitura municipal (conheça) foram os produtos finais dessa ação. “É possível desenvolver alternativas adequadas para destinação de resíduos que geramos diariamente em nossa comunidade, com um custo baixo e resultados surpreendentes. É um projeto que consolida desenvolvimento sustentável com soluções adequadamente palpáveis a todos, um benefício ambiental e social às gerações futuras”, informa nota.
Por Keli Vasconcelos – Jornalista
Foto: Raquel Kriger de Paiva




