Como parte da imersão do SITEC Ambiental 2026 – Seminário de Tecnologia e Soluções Ambientais para a Indústria (confira a cobertura neste link), o Portal TECNEWS faz um aprofundamento de cada palestra pertencente aos painéis realizados nos dois dias de evento (18 e 19 de março). A segunda palestra da tarde (19) teve como enfoque “Finanças Sustentáveis”, com a apresentação de Marcel Lapa, CEO da Green Credit Ecosystems, empresa parceria do Programa Paradas (mais informações aqui), esclareceu os meios mais conhecidos e perspectivas em finanças sustentáveis.
O CEO da Green Credit Ecosystems, em sua fala, elucidou sobre instrumentos importantes para o âmbito ESG, como a descrição de escopos (1, 2 e 3), cálculo de emissões de gases de efeito estufa (GEE; por meio da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima – UNFCCC), e o equilíbrio entre mercado regulado e voluntário, este baseado em iniciativas independentes de empresas, organizações e indivíduos que desejam compensar voluntariamente suas emissões de GEE. “O crédito carbono nada mais é que uma unidade que foi criada como incentivo para as pessoas poderem ir na direção de emitir menos ou desenvolver capacidade de absorção maior”, resumiu o especialista.
Finanças Sustentáveis
Na visão do especialista, os pilares ESG são critérios utilizados para orientar e avaliar organizações em relação a riscos, oportunidades e desempenho nas áreas ambiental, social e de governança. Como resultados, há mais perenidade nos negócios, desenvolvimento sustentável e, principalmente geração de valor, conforme endossou o especialista em sua fala no SITEC.
Em números, estudos que apontam retornos financeiros positivos nas empresas, para 90% dos executivos e gerentes que contam com iniciativas de ESG em suas operações (saiba mais neste link). “A projeções para a maturidade estão voltadas ao mercado voluntário. O interessante é a possibilidade de levar essas metodologias adaptadas a qualquer mercado, então, há um amadurecimento dessas ações. Esses indicadores não são apenas para ficar no discurso, mas para mostrar que podem estar presentes na realidade das pessoas e das empresas”, disse.
“Por exemplo, 99% dos investidores usam as informações ligadas ao ESG e que são divulgadas pelas empresas, fazem parte das decisões de investimentos e 50% dos profissionais consideram essas práticas como fatores importantes na hora de decidirem permanecer no trabalho. Ou seja, mensurar é mostrar que não estou só no plano do discurso, mas ter esse poder dentro da cultura organizacional”, definiu Lapa.
Bem-estar – das pessoas e do planeta
Um dos destaques na apresentação de Lapa refere-se ao fator Social, em que as empresas precisam, sobretudo, estarem alinhadas à segurança e saúde de seus funcionários, em conformidade de Normas Regulamentadoras, a exemplo da NR-1, atualizada recentemente e que trata de saúde mental e riscos psicossociais. “Se meu colaborador não tem uma qualidade de vida, se há sobrecarga de trabalho, não tem como pensar em sustentabilidade. E isso não é papo de ‘ecochato’, é uma realidade que precisa estar dentro da cultura das empresas”, frisou.
Muito embora esses conceitos pareçam distantes para muitas pessoas – e aos atores presentes dentro das companhias –, Lapa prosseguiu, cabem as organizações fomentar a conscientização na aplicabilidade da jornada ESG, não apenas para cumprimento de metas, mas também como um bem para todo o sistema – dentro e fora das empresas.
“Quando entendo que estou fazendo projetos alinhados com ESG, não os vejo como despesa, mas como incentivo econômico. Quanto mais eu penso nos impactos do meu negócio ao meio ambiente, mais oportunidades eu encontro. Tudo é economia”, sublinhou Lapa.
Pagamento por Serviços Ambientais e Crédito Rural Verde
Outro método importante é o Pagamento por Serviços Ambientais (PSA), que está amparado pelo Código Florestal (Lei 12.651/2012). Em sua apresentação, Marcel Lapa destacou diagnósticos e projeções disponibilizadas em sua empresa (saiba mais aqui), com destaque para o PSA / Crédito de Produto Rural (CPR) Verde, baseado no Programa Nacional de Compensação de GEE da Indústria Brasileira pelo Fomento da Agricultura familiar.
Com o objetivo viabilizar financeiramente o CPR Verde, o mecanismo promove a remuneração para o fomento da agricultura familiar por PSA, e utiliza esse ativo para o Brasil alcançar as metas do Tratado de Paris. Marcel Lapa considerou o CPR Verde como, atualmente, o maior Ativo Verde para o Brasil se posicionar no mundo, com destaque inclusive durante a COP30.
Em relação ao mercado de carbono, nas projeções apresentadas por Lapa, a regulamentação efetiva do mercado de carbono pode gerar até US$ 120 bi (R$ 577,2 bi) ao Brasil até 2030. “Se a soma entre Área de Preservação Permanente (APP), Reserva Legal (RL) e excedentes de vegetação nativa (Lei 14.119/2021) fosse remunerada, isso seria a massa potencial para PSA e, por consequência, lastro de CPR Verde”, descreveu Lapa.
“Tivemos a oportunidade em participar da COP30 e levamos esse assunto. Acreditamos que toda a sustentabilidade deve ser lucrativa, e é impulsionadora para outras áreas. E o principal agente transformador está em nós, as pessoas, e que todo discurso de preservação deve estar pautado na capacitação das pessoas, o que, consequentemente, gera engajamento e escala”, finalizou o especialista.
Com o tema central “A jornada da sustentabilidade que transforma esforços e investimentos em propósito”, o SITEC Ambiental 2026 ocorreu no Centro de Convenções Frei Caneca, na capital paulista.
Acompanhe o Portal TECNEWS e siga @fitecambiental para saber as novidades.
Por Keli Vasconcelos – Jornalista
Foto: Sofia Jucon




