Em meio a telas e estímulos digitais, crianças e jovens encontram na leitura de publicações físicas um refúgio, especialmente com o estímulo da família. É o que aponta a pesquisa Panorama do Consumo de Livros, divulgada pelo PublishNews, mostrando que o Brasil ganhou 3 milhões de novos compradores em 2025, com crescimento mais expressivo entre pessoas de 18 a 34 anos. Isso significa um impacto que reverbera ao segmento infantil, haja vista que esse público envolve mães, pais e parentes de crianças pequenas e, consequentemente, influencia na aquisição.
É a oportunidade de contato com diversos temas, o que inclui a sustentabilidade, tão importante em tempos de fenômenos climáticos extremos e presentes no cotidiano, como cheias e estiagens em grandes cidades, como São Paulo, por exemplo. Uma das obras que aborda esse assunto é “Cyber PANC e Só Zé: O resgate de um poder pifado e outras caraminholas” (selo Escarlate, Companhia das Letras, 216 p., 2026), de Mariana Brecht (autora) e Lumina Pirilampus (ilustradora), conta a história de duas crianças (que dão nome ao livro) que reconhecem a coletividade como uma forma de bem-viver, com apoio de atitudes como a agroecologia e conscientização ambiental.
Um dos destaques do livro é o conceito solastalgia, ou seja, a angústia ligada a crise climática dentro do território, traduzindo esse sentimento para uma linguagem acessível ao pequenos. Outro ponto alto é o estímulo às atividades, com receitas, jogos e glossário imersivo.
“Essa perspectiva esperançada é essencial quando se escreve para crianças e jovens. Se adultos de 30 e 40 anos já sofrem com a ameaça das emergências climáticas, quem está crescendo hoje vivencia essa tensão de maneira ainda mais latente”, salienta a autora.
Natureza em livros para pequenos
Outra obra que eleva o tema é “Criatividade Verde – Como Preservar A Natureza Se Divertindo” (editora Hortelã, 60 p., 2026), escrito e ilustrado por Ana Cíntia Correa dos Reis, artista e educadora, em que as crianças são convidadas a explorar o mundo natural com imaginação e consciência ambiental.
Elaborado ricamente para que possa se tornar um caderno de atividades, a obra conta com dicas de brincadeiras ao ar livre e de preservação ambiental, bem como exercícios de desenho e a feitura de origamis, mostrando que aprender sobre o meio ambiente pode ser lúdico e estimulante.
“Com ilustrações próprias e atividades práticas, Ana Cíntia transforma o aprendizado em brincadeira, incentivando o contato direto com a natureza e despertando o senso de responsabilidade desde cedo”, destaca nota da editora.
Por Keli Vasconcelos – Jornalista
Foto: StockSnap por Pixabay




