Mensurar é um item importante na prática e no reporte ESG dentro das organizações. Contudo, não pode se resumir a ações corporativas pontuais ou mesmo sazonais, mas estar arraigada na rotina corporativa, já que a pressão por resultados concretos nessa agenda proporciona a uma tomada de consciência em estratégias de investimento.
O recado é claro: demonstrar impactos reais gerados por essas ações se faz necessário. “A pauta ESG amadureceu nos últimos anos e hoje existe uma demanda crescente por evidências de transformação social”, resume Daniela Bahia, diretora da Olhar Social, consultoria especializada em processos e soluções para o investimento de recursos em ações de impacto social.
Segundo a gestora, as corporações têm interesse por projetos associados aos desenvolvimento social, fortalecimento institucional e mensuração de resultados, como as apoiadas por leis de incentivo fiscal.
“As empresas querem compreender como seus investimentos estão contribuindo às comunidades e quais resultados estão sendo alcançados. Por isso, a mensuração de impacto tornou-se um elemento fundamental na tomada de decisão e à construção de estratégias mais eficientes”, destaca Daniela Bahia.
Cuidado com indicadores frágeis nas ações corporativas
Atualmente, normas internacionais como a Corporate Sustainability Reporting Directive (CSRD) e a diretriz IFRS S2 (saiba mais no Portal TECNEWS) exigem que as metas sustentáveis vinculadas a bônus executivos sejam comprovadas com dados primários e auditoria independente.
Para se ter uma ideia, as companhias de capital aberto em diferentes mercados já vinculam entre 10% e 30% do bônus variável da liderança a metas sustentáveis. Indicadores frágeis e passíveis de inconsistências são um verdadeiro pesadelo na mensuração. “O teste é simples: a métrica resiste a uma due diligence externa? Se a resposta é ‘depende’, já é greenwashing“, alerta Lucas Nicoleti, CEO da Ecomilhas, climate tech brasileira que recompensa quem utiliza transportes como bicicletas e veículos de baixa emissão.
Para o executivo, ter em mente três princípios são cruciais: dados primários, auditorias independentes e materialidade para trabalhar essa agenda nas operações. “As métricas mais maduras hoje são as reduções de Escopo 1 e 2, diversidade na liderança e segurança do trabalho. O ponto crítico é que o indicador precisa ser auditável, mensurável e material, e a tendência clara é migrar para Escopo 3”, acrescenta, ao Valor.
Antecipação e engajamento interno
Além de trabalhar a governança corporativa, o engajamento dos times também faz parte dessa trajetória contínua, incorporada na cultura das operações. Em síntese: o caminho para a maturidade ESG envolve além da mensuração, mas na antecipação de riscos e no engajamento interno.
Reginaldo Stocco, CEO da vhsys, sistema de gestão empresarial, explica que esse trabalho deve acolher cada área, da tecnologia ao financeiro, com a promoção de práticas alinhadas a impacto positivo, garantindo que a sustentabilidade gere valor concreto e, mais uma vez, a palavra determinante: mensurável.
“Quando orientamos nossas decisões por critérios ambientais, sociais e de governança, criamos valor não só para o negócio, mas também para as pessoas e comunidades que fazem parte dele”, conclui, ao Varejo S/A.
Por Keli Vasconcelos – Jornalista
Foto: u_c48rf6ybx8 (gerado por IA)/ Pixabay




