Uma das dificuldades enfrentadas por quem atua com negócios de impacto, alinhados com o propósito ESG, é a disponibilidade de recursos financeiros para tocar as atividades.
Eis que justamente a sustentabilidade está impulsionando empresas e organizações, diante de um mundo que urge por soluções desafiadoras para eventos climáticos extremos e adaptação, além da consolidação da ideia de que somente com o respeito e consonância ambiental poderemos ser mais prósperos e ativos.
Em Minas Gerais, por exemplo, o Banco de Desenvolvimento do Estado (BDMG) liberou R$ 427,6 milhões apenas no primeiro semestre do ano, volume 207,8% maior que os R$ 138,9 milhões do mesmo período de 2025. Em seis meses, o valor liberado ficou próximo do montante contratado em 2025, de R$ 448 milhões.
Áreas que estão ganhando fôlego e aumentando o apetite de negócios envolvem energias renováveis, gestão e reciclagem de resíduos, novas tecnologias limpas e até a substituição de equipamentos por modelos mais eficientes e menos poluentes, como explica Gabriel Viégas Neto, presidente do BDMG, ao O Tempo.
“São investimentos que promovem benefícios ambientais, mas também geram vantagens competitivas. Medidas que representam redução de custos a médio e longo prazo, maior rentabilidade e, muitas vezes, ampliam a produtividade das empresas”, endossa o executivo.
Eco Invest Brasil
E soluções também são proeminentes em grandes operações, como o Eco Invest Brasil (saiba mais no Portal TECNEWS), programa voltado à mobilização de capital para investimentos sustentáveis e a melhorias no ambiente de negócios.
Recentemente foi aprovada pelo Senado (Mensagem (MSF) 4/2026), a autorização de contratar US$ 1 bilhão (equivalente hoje a R$ 5,12 bilhões) com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), em uma operação ligada ao programa.
Segundo informações da Agência Senado, a matéria é interesse do Ministério da Fazenda e não exige contrapartida financeira do país. “O BID fará o desembolso em uma única parcela e o Brasil terá prazo de dois anos, contado da entrada em vigor do contrato, para receber os recursos. A carência será de 66 meses e o prazo de amortização de 20 anos, contado da assinatura do contrato, com pagamentos semestrais”, informa o comunicado.
Autonomia financeira às mulheres
Imagine unir autonomia, inclusão social e geração de renda em um único propósito? Eis o DNA da ONG Acreditar, com base na Bacia do Goitá (PE), que desde 2006 incentiva empreendedores, especialmente mulheres, a abrirem e fortalecerem seus negócios por meio de assessoria personalizada, cursos sobre finanças e negócios, além de programa de microcrédito.
“Incentivamos atividades produtivas de mulheres, jovens, empreendedores visando o seu desenvolvimento econômico. A gente acompanha tudo de perto. Já acreditamos nos sonhos de cerca de 12 mil pessoas e já movimentamos mais de R$ 12 milhões. Isso significa que, indiretamente, tocamos a vida de mais de 36 mil pessoas de nossa região”, comemora Lilian Prado, diretora institucional da organização.
Por Keli Vasconcelos – Jornalista
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