O arquipélago de Fernando de Noronha deu um passo histórico rumo à sustentabilidade, dia 15 de maio. A Neoenergia, em parceria com o Governo de Pernambuco e o Ministério de Minas e Energia (MME), realizou a entrega da primeira fase do Projeto Noronha Verde. Esta etapa inicial marcou o começo dos testes de injeção de energia limpa na rede elétrica local, utilizando 4,8 mil painéis fotovoltaicos já instalados — o que corresponde a cerca de 15% da capacidade total planejada para o empreendimento.
A governadora de Pernambuco, Raquel Lyra, e a vice-governoadora, Priscila Krause, acompanharam de perto o início dos testes na ilha.
“O dia de hoje marca o avanço na transição energética e na descarbonização de Fernando de Noronha. A Usina Noronha Verde anda ao lado do propósito do Governo de Pernambuco com a sustentabilidade, incentivando a geração de energia limpa. Um lugar só pode ser bom para os seus visitantes quando é bom para seus moradores”, destacou Raquel Lyra.
O caminho para o “Mais por Noronha”
Apesar do marco atual, a jornada para transformar a matriz energética do arquipélago começou a ganhar tração robusta em novembro de 2025, quando o projeto da Usina Solar Noronha Verde foi lançado oficialmente às vésperas da COP30 no Brasil. No entanto, a atuação da Neoenergia na região é ainda mais antiga: desde 2009 a companhia desenvolve ações no ecossistema local.
A iniciativa faz parte do programa Mais por Noronha, desenhado para mitigar os impactos do crescimento do turismo e da urbanização. Historicamente, a ilha dependeu quase que integralmente (95%) da Usina Tubarão, movida a queima diária de cerca de 30 mil litros de combustível fóssil transportado do continente por navios — uma operação que, apenas em 2024, emitiu 21 toneladas de $CO_2$.
Para viabilizar a mudança, foi necessária uma articulação complexa. O investimento de R$ 350 milhões da Neoenergia contou com a cessão de 24,63 hectares de terras (1,5% da área total da ilha) repassadas pela Aeronáutica e pelo governo pernambucano, além do licenciamento ambiental da Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH) com anuência do ICMBio.
Na época do lançamento, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, celebrou o papel de liderança do país: “Nós avançamos nessa nova economia, que é a economia verde. Fernando de Noronha dá exemplo para o mundo. O Brasil dá exemplo dentro da COP”.
Ignacio Galán, presidente da Iberdrola (controladora da Neoenergia), também reforçou a importância do ambiente institucional para o surgimento da usina: “Nada disso seria possível sem uma política energética clara e a estabilidade regulatória do país, que tornaram o Brasil uma referência mundial”.
O impacto na comunidade local
A transição energética mexe diretamente com a rotina de quem vive e trabalha no arquipélago. A professora e moradora Edileuza Maria dos Santos expressou o sentimento da comunidade durante o desenvolvimento do projeto:
“Queríamos ver nossa ilha crescer sem perder a essência da natureza que tanto amamos. E agora, com essa usina solar, isso será possível. Nos orgulhamos em saber que teremos energia limpa e um futuro feliz para nossos filhos.”
Para garantir o equilíbrio entre a grande obra e o ecossistema social local, empresas de gestão ambiental foram integradas ao dia a dia. “Nosso papel vai além do licenciamento. Estamos acompanhando diariamente as atividades em campo, coordenando e executando programas ambientais e comunicação social junto à população local”, explicou Carolina Claudino, diretora técnica da Caruso.
Perspectivas e próximos passos
O cronograma do Projeto Noronha Verde prevê que a segunda e última fase da usina solar seja entregue no primeiro semestre de 2027. Quando estiver em plena operação, o complexo contará com mais de 30 mil painéis solares e uma capacidade de geração de 22 MWp, operando em conjunto com um sistema de armazenamento em baterias (BESS) de 49 MWh.
Essa tecnologia resolverá o problema da intermitência da fonte solar: os painéis abastecem a ilha e carregam as baterias de dia, e o sistema de armazenamento sustenta o consumo noturno. A capacidade total equivale ao consumo de 9 mil residências no continente. Com isso, a antiga Usina Tubarão passará a funcionar apenas como backup de segurança.
Além do ganho ecológico, o CEO da Neoenergia, Eduardo Capelastegui, projeta impactos econômicos positivos: “O projeto também contribuirá para o sistema elétrico brasileiro ao reduzir em até 10% o custo da geração da ilha. Portanto, energia mais limpa, sustentável e mais barata”.
O diretor-presidente da Neoenergia Pernambuco, Saulo Cabral, garantiu que a estrutura foi feita para o longo prazo: “Essa usina vai durar pelo menos 20 anos. A entrega da primeira fase dentro do prazo reitera o comprometimento com a preservação”.
Com a consolidação do projeto, Fernando de Noronha se tornará a primeira ilha oceânica habitada da América Latina a alcançar esse patamar de descarbonização, servindo de modelo global para o turismo sustentável e para o cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU.
Foto: Neoenergia/Divulgação




