Como parte da imersão do SITEC Ambiental 2026 – Seminário de Tecnologia e Soluções Ambientais para a Indústria (confira a cobertura neste link), o Portal TECNEWS faz um aprofundamento de cada palestra pertencente aos painéis realizados nos dias de evento (18 e 19 de março). A palestra que concluiu a manhã do segundo dia de evento (19) teve como norteador o assunto “O Carbono na Cadeia de Valor: como reduzir emissões com seus fornecedores e clientes”, com as palavras de Leonardo Maglio, Business Development Manager – Climate Change & Sustainability Services da Schneider Electric Advisory Services (SE).
Na oportunidade, cujo eixo central do painel foi “Do propósito ao impacto: como liderar o mercado com descarbonização e compromissos ESG”, Maglio discerniu sobre como reduzir emissões de carbono por meio da gestão compartilhada entre fornecedores e clientes, usando como alicerce a própria experiência dentro da companhia, dando exemplos e traçando panoramas em como, na prática, a jornada ESG é aplicada.
A SE tem em sua diretriz global The Zero Carbon Project – iniciado em 2021 e com ápice em 2025, com o atingimento das principais metas –, focado em descarbonizar a cadeia de fornecimento (escopo 3; saiba mais no Portal TECNEWS), conforme descreveu o especialista. “Temos um compromisso de engajar os nossos 1,5 mil maiores fornecedores da nossa cadeia de fornecimento e nossas emissões de escopo 1 e 2 chegaram ao Net Zero na nossa cadeia até 2030”, relatou.
E prosseguiu: “São 25% de emissões de escopo 3 a menos em relação ao ano base também em 2030. Como temos arraigados esse compromisso de descarbonização relacionado à nossa cadeia, temos que trabalhar o engajamento na cadeia de fornecedores”, disse.
Governança e conscientização dos fornecedores
Leonardo Maglio frisou em sua apresentação no SITEC a importância de uma governança alinhada e consciente para os índices de descarbonização, como a estrutura de compras sustentáveis, que não pode se limitar ao pilar ambiental, mas levar em conta as condições de trabalho de quem fornece suprimentos à companhia.
“Nosso sistema sustentável tem uma série de protocolos, então acompanhamos os fornecedores para olhar desde o trabalho digno até se a questão da descarbonização nas operações, se estão fundamentados e alinhados com o nosso código de conduta, bem como outras regulamentações globais, se tudo está em dia”, salientou o especialista, apresentando um mapa dessas emissões, inclusive residuais e como são compensadas, o que vai de créditos de carbono até a redução máxima.
Outro ponto enfatizado pelo gestor se refere ao letramento de todos os atores envolvidos na rotina da SE, o que englobou capacitação, entendimento do perfil de perfil de emissões, o nível de maturidade, o porte dos fornecedores e níveis de engajamento.
“Não podemos colocar todos os fornecedores de maneira agrupada, então, primeiramente fizemos um mapeamento e posteriormente fizemos webinars, treinamentos e soluções digitais. Precisamos ter critérios de sucesso para esses programas, então tudo isso é gerenciado e viabilizamos também em soluções digitais para que os nossos fornecedores possam ter minimamente um dado primário de emissões”, descreveu.
Vantagens e desafios do escopo 3
O executivo na Schneider Electric reconheceu que descarbonizar a cadeia de fornecedores é um desafio robusto, mas repleto de vantagens e oportunidades, haja vista que, primeiramente, a companhia se torna uma multiplicadora dos pilares ESG, e elencou os principais setores engajados, sendo franquias, investimentos e transportes.
“Essa última, aliás, é uma área que muito recorrente se engajar, porque algumas categorias já têm programas de descarbonização, inclusive conseguimos saber quem são os parceiros de logística e engajá-los. Já temos, porém, algumas ações que são mais complexas, como por exemplo o deslocamento de funcionários, investimentos. São complexidades nesse descarbonizar e vincular um programa de engajamento”, comentou.
Maglio foi enfático ao afirmar que se faz necessária a combinação de análise e cálculos entre a cadeia de fornecedores. “Isso permite ver quais são os hotspots de emissão na minha cadeia. Dependendo do tipo de cálculo feito, consegue entender quais são os fornecedores que estão representando emissões dentro da cadeia”, resumiu.
Sobre os inventários, o especialista endossou o envolvimento de todos os atores dentro da empresa, ou seja, o departamento de compras e Recursos Humanos, para, por exemplo, repensar no design do produto, o deslocamento de colaboradores, como citado, e as emissões atreladas a essas atividades.
Ele ressaltou ainda o compromisso público que a companhia tem baseada na ciência. “As emissões do escopo 3 em média representam de 70% a 90% das emissões de uma empresa, ou seja, se você não calcula o escopo 3, você não tem essa visibilidade de fato. Quando você comunica ao público esses cálculos, consegue ter a materialidade das emissões, e isso é fundamental”, pontuou.
Eletricidade
As energias renováveis, com o destaque para a solar, também deram o tom da palestra de Maglio, reconhecendo a complexidade dessas compras, inclusive estimulando a possibilidade da mesma atitude por parte da cadeia de fornecedores. “Também temos a compra de energia agregada, chamada de PPAs (Power Purchase Agreements), que nada mais é que contrato de energia. Nessa capacitação, agrupamos 800 fornecedores e fizemos algumas compras de energia renovável. Nisso, foram uns 30 PPAs, ou seja, em torno oito projetos de energia solar novos, tirados do zero, para viabilizar”, explicou.
Leonardo Maglio encerrou sua participação endossando que trazer para a jornada ESG a cadeia de fornecedores vai além de cumprimento de metas, mas também envolve a sustentabilidade reputacional da empresa. “Obviamente não podemos falar de reputação se não observamos a nossa cadeia de suprimentos e os nossos clientes. Checamos, por exemplo, se a empresa não tem questões trabalhistas, se vamos seguir com esse projeto, se vamos vender pra esse cliente e às vezes é barrado. Temos esse cuidado de avaliar a quem vamos vender – e atrelar – os nossos produtos”, concluiu.
Com o tema central “A jornada da sustentabilidade que transforma esforços e investimentos em propósito”, o SITEC Ambiental 2026 ocorreu no Centro de Convenções Frei Caneca, na capital paulista.
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Por Keli Vasconcelos – Jornalista
Foto: Sofia Jucon




