A Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) lançou oficialmente, no dia 8 de julho, na sede da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), a nova edição da ABNT NBR ISO 14001:2026. O evento reuniu especialistas, lideranças industriais e profissionais do setor ambiental para apresentar as atualizações da principal diretriz internacional para Sistemas de Gestão Ambiental (SGA). Publicada em 15 de abril pela International Organization for Standardization (ISO) em substituição à versão de 2015, a atualização busca alinhar as práticas corporativas às urgências climáticas globais, reforçar a resiliência operacional e integrar os critérios ESG (Ambiental, Social e Governança) ao centro das estratégias de negócios. As empresas terão até abril de 2029 para concluir a transição.
ISO 14001: 2026 e a gestão ambiental estratégica para inserção global
A nova versão da norma amplia o foco nos resultados práticos, exigindo das organizações a demonstração contínua de indicadores socioambientais, transparência e rastreabilidade ao longo de toda a cadeia de suprimentos.
Na abertura do encontro, o presidente do Conselho Deliberativo da ABNT, Mario William Esper, destacou a importância do alinhamento às exigências do mercado internacional, citando o contexto de acordos globais como o entre Mercosul e União Europeia: “A sustentabilidade deixou de ser apenas um diferencial competitivo para se tornar um requisito estratégico. A nova ABNT NBR ISO 14001 amplia o foco em resultados, fortalece a transparência, a rastreabilidade das ações ambientais e prepara as organizações para atender às crescentes exigências dos mercados nacionais e internacionais. Essa evolução fortalece a transparência, amplia a estabilidade das ações ambientais e aumenta a confiança de clientes, investidores, órgãos reguladores e sociedade”, declarou.
Já Nelson Carvalho, superintendente de Sustentabilidade da Rio+ Saneamento / Grupo Águas do Brasil e coordenador da Câmara Técnica de Meio Ambiente da Firjan, ressaltou que a norma passa a abordar aspectos como a conservação da biodiversidade, o planejamento preventivo e o ciclo de vida dos produtos:. “Não se trata de uma norma qualquer, mas da principal norma de gestão ambiental do mundo. Ela é uma ferramenta robusta para a gestão de riscos ambientais, transformando responsabilidades ambientais em vantagem competitiva e em motor de crescimento para as organizações. Em um cenário de mudanças climáticas e de escassez de recursos naturais, a norma se apresenta como uma ferramenta robusta para a gestão de riscos ambientais, transformando responsabilidades em vantagem competitiva e em motor de crescimento”, salientou.
O papel do Comitê Brasileiro e a sustentabilidade global
Na sequência, André Vilhena, superintendente do Comitê Brasileiro de Gestão Ambiental (ABNT/CB-038), apresentou a atuação do Comitê e destacou como a normalização técnica converte intenções corporativas em transformações reais e alinhadas aos pactos globais. “As normas técnicas são instrumentos capazes de transformar compromissos ambientais em ações concretas, promovendo inovação, desenvolvimento econômico e proteção ao meio ambiente”, destacou.
Vilhena reforçou ainda que a atuação do ABNT/CB-038 fortalece o alinhamento das normas brasileiras aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU). Segundo o superintendente, o trabalho do comitê permite que empresas e especialistas nacionais participem diretamente da construção das diretrizes regulatórias que orientarão a sustentabilidade global nos próximos anos.
Mapeamento técnico e integração com a agenda ESG
Durante os painéis técnicos, especialistas detalharam as inovações estruturais da norma. Vinicius Aires, coordenador da Comissão de Estudo (ABNT/CB-38/SC01), ressaltou a incorporação do conceito de dupla materialidade e o aprimoramento da análise de riscos e oportunidades. “A gestão ambiental deixou de ser apenas um instrumento de conformidade legal. Ela passa a ocupar um papel estratégico, contribuindo para a sustentabilidade, a competitividade e a geração de valor para as organizações e para a sociedade”, observou.
Na mesma linha, Karen Pizzotti, instrutora da UniABNT e coordenadora da ABNT/CEE-256 ESG, frisou que a estruturação normativa oferece maior segurança para tomadas de decisão frente a investidores, órgãos reguladores e ao mercado.
A certificação como diferencial competitivo
A relevância da auditoria independente para assegurar a aplicação prática dos requisitos foi abordada por Marcos Fagundes, coordenador de Qualidade da Certificação ABNT. Para ele, a norma, por si só, não transforma uma organização. O verdadeiro diferencial está em traduzir seus requisitos em práticas consistentes no dia a dia. “A certificação fortalece a confiança do mercado, amplia a credibilidade das organizações e impulsiona a melhoria contínua”, pontuou.
No encerramento das apresentações, a Firjan contextualizou o cenário com os dados da Pesquisa Firjan ESG 2025, que apontou que 96,1% das indústrias fluminenses já adotam critérios ESG internamente — um avanço de 10% em relação a 2023. Jorge Peron Mendes, gerente de Sustentabilidade da Firjan, apontou o histórico de parceria com a ABNT. “É preciso reconhecer a norma ISO 14001 como uma ferramenta de gestão de risco ambiental e atrelada diretamente ao desenvolvimento da indústria do estado do Rio de Janeiro”.
Complementando o painel, Fabiana Coelho, coordenadora de Serviços Tecnológicos e Inovação do Senai/Firjan, ressaltou que a instituição atuará no suporte técnico para capacitação e transição das indústrias ao longo dos próximos anos.
Principais Destaques da ABNT NBR ISO 14001:2026
| Pilar | Principais Mudanças e Focos |
| Estratégia e Governança | Incorporação da dupla materialidade e maior protagonismo da alta liderança corporativa. |
| Gestão de Riscos e ODS | Alinhamento à Agenda 2030 da ONU, foco em resiliência climática e conservação da biodiversidade. |
| Cadeia de Valor | Monitoramento contínuo de fornecedores e análise do ciclo de vida dos produtos. |
| Prazo de Transição | Prazo para adequação total das organizações até abril de 2029. |
Ao final do encontro, Mario William Esper agradeceu à Firjan, aos conselheiros, associados e participantes presenciais e virtuais, destacando a cooperação entre as entidades para a construção de um ambiente industrial mais sustentável e competitivo no Brasil.
Foto: ABNT/Divulgação




