Um dos grandes desafios na circularidade está na destinação correta de materiais, como o plástico, em que o Brasil figura o quarto maior produtor mundial desse tipo de resíduo, mas recicla somente 1,3% desse volume (saiba mais neste link). Para sanar tal demanda foi estabelecido o Decreto Federal 12.688/2025 (conhecido por Decreto do Plástico), estabelecendo modelos de operação de logística reversa e determina que a partir deste ano as embalagens deverão conter 22% de matéria-prima reciclada, no mínimo.
Nesse cenário o PET ganha destaque, já que cabe a resina plástica o maior índice de reciclagem no país. Em números, segundo estudo da consultoria MaxiQuim, a pedido do Movimento Plástico Transforma, do 1,012 milhão de toneladas de resina PCR (do inglês para Post-Consumer Recycled) produzido em 2024 no país, 397 mil toneladas (39%) foram PET.
Para Auri Marçon, presidente-executivo da Associação Brasileira da Indústria do PET (ABIPET), a demanda, que é crescente em si, irá inflar, já que o item tem posição estratégia frente as metas do Decreto a serem cumpridas. “Isso envolve tanto as fabricantes de produtos (usuárias de embalagens), quanto em relação ao índice de reciclagem e de incorporação do conteúdo reciclado em novas embalagens”, endossa o executivo, ao Mundo do Plástico.
Menos emissões dos plásticos, mais possibilidades
Eis que empresas estão investindo em pesquisa na produção, como no caso da Vaique, especializada em unir design de produto e tecnologia de materiais para viabilizar a economia circular. Focando nos flexíveis (PEAD, EVA e PEBD), a cleantech substitui a peletização, processo tradicional de derreter o plástico reciclado para transformá-lo em grânulos antes da fabricação de novos itens, por uma técnica de prensagem.
De acordo com a empresa, o método reduz em até 85% as emissões de CO₂ e gera uma economia de 70% no consumo de água em comparação à produção convencional de chapas plásticas. São dois materiais produzidos por meio dessa metodologia: o Vaique Tex, primeiro têxtil técnico laminado produzido a partir de plásticos flexíveis pós-consumo e o Vaique Loop, apresentado em placas ou moldagem direta, indicado para embalagens rígidas, divisórias ou moldáveis em geral.
A primeira empreitada evolveu embalagens para o ramo de cosméticos, e atualmente, o negócio produz itens como shoulder bags e brindes para empresas. “Quando jogo o meu lixo em casa, a vida dele não acaba ali. O lixo vai para algum lugar, e eu preciso entender para onde”, resume Leonardo Jarlicht, sócio fundador da marca, ao Pequenas Empresas & Grandes Negócios.
Por Keli Vasconcelos – Jornalista
Foto: Keli Vasconcelos




