Forte área da economia nacional, o agronegócio está se destacando quando o assunto envolve tecnologia. Um levantamento da Associação Brasileira de Startups (ABStartups) e Universidade de São Paulo (USP), baseado em dados de 170 startups, revela que mais de 39% das chamadas agtechs têm até três anos e mais de 32% ultrapassaram cinco anos de operações, respectivamente.
Outro destaque fica para as parcerias: o estudo, divulgado pelo TI Inside, mostra, no geral, que 79% das startups contam com dois ou mais parceiros, sendo hubs de inovação (52,9%) e instituições acadêmicas (50%) os mais frequentes.
“O futuro do agronegócio brasileiro passa, cada vez mais, pela integração entre tecnologia e produção. Sempre foi uma potência no Brasil, e a inovação vem potencializar ainda mais essa posição. As agtechs têm um papel central em tornar o setor mais eficiente, sustentável e competitivo globalmente”, conta Claudia Schulz, CEO da ABStartups.
Agtechs e desafios no campo
Na outra ponta, os desafios para descarbonização e inovações sustentáveis no campo ainda precisam ser superados no agro. Uma boa prática vem da Embrapa Trigo, em Passo Fundo (RS), que toca o Programa Trigo Baixo Carbono, que auxilia na produção de um protocolo de certificação de agricultores comprometidos com a redução das emissões, com a oferta de um selo para valorizar as propriedades rurais que conseguirem aliar eficiência a práticas sustentáveis nessa cadeia.
A iniciativa integra diferentes linhas de pesquisa e soluções em todas as etapas da produção de trigo, desde a adoção de cultivares a técnicas de adubação. Segundo Vanderlise Giongo, pesquisadora da Embrapa Trigo, quando se fala de baixo carbono, trata-se de uma medida de eficiência de um sistema. “Vamos compondo soluções que levam ao melhor desempenho ambiental, mas é consequência de um bom desempenho tecnológico e econômico, reduzindo os custos ou aumentando a produtividade, ou ambos”, comenta, ao Correio do Povo.
Estratégias integradas
Na opinião de Valmir Dias, gerente nacional de Energia e Descarbonização na Embaixada Britânica no Brasil, em artigo à CNN, um dos grandes desafios perante o cenário mundial, está nas características distintas de emissões.
“Dados do Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SEEG) mostram que a maior parte das emissões nacionais ainda está associada ao desmatamento e à agropecuária, enquanto os setores de energia e indústria têm participação proporcionalmente menor”, reforça o especialista, salientando a importância de abordagens mais integradas, como a Estratégia Nacional de Descarbonização da Indústria (ENDI; mais informações neste link).
Por Keli Vasconcelos – Jornalista
Foto: gpointstudio/Magnific




