Investimentos em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D), inovação e políticas públicas no Brasil em transição energética marcam mais passos na corrida pela descarbonização, como a Lei do Combustível do Futuro (Lei 14.993/2024), que estabeleceu o marco regulatório para ampliar a produção e utilização de combustíveis renováveis no país.
Um exemplo chega ao Mato Grosso: com aportes que podem ultrapassar R$ 1,1 bi, a empresa norte-americana Navvion, especializada em soluções no armazenamento por baterias, está em negociação no Estado para instalação de uma fábrica na região. Neste mês, a Universidade Federal do Estado (UFMT) recebeu da companhia a doação de um sistema de armazenamento com capacidade para armazenar 16,1 kWh de energia e inversor híbrido integrado de 10 kW, que será usado exclusivamente para pesquisas e testes com baterias. A universidade também recebeu a visita da empresa chinesa MANST Technology para essa troca de experiências.
“A verticalização da produção passa necessariamente por uma oferta de energia mais segura e confiável. A universidade está preparada para contribuir com pesquisa, inovação e formação de profissionais que possam atender essa demanda. A doação permitirá os testes em condições climáticas próprias de Mato Grosso, avaliando aspectos como temperatura e desempenho para adaptar essa tecnologia à realidade da nossa região”, disse o professor e ex-reitor da UFMT, Evandro Aparecido Soares da Silva, do Departamento de Engenharia Elétrica.
“A principal finalidade da parceria é capacitar e formar profissionais para atender a uma demanda que cresce rapidamente. Precisamos de pessoas preparadas para trabalhar com eletrônica e armazenamento de energia”, complementou Merivaldo Britto, presidente da Navvion América do Sul.
P&D e biometano em SC
Já em Santa Catarina, um grupo criado em 2023 reunindo empresas, setor produtivo, universidades e poder público, com participação do Hub de Descarbonização FIESC (Federação das Indústrias do Estado), resultou no primeiro contrato de fornecimento de biometano do Estado, assinado neste mês pelas corporações H2A Bioenergia (produtora do biometano), a VOSSKO (consumidora) e a SCGÁS (distribuição por meio de seus gasodutos).
O combustível é produzido a partir dos dejetos da suinocultura e utilizado pela indústria, unindo agronegócio, energia e descarbonização em um mesmo projeto (mais no Portal TECNEWS). “A primeira injeção de biometano na rede de distribuição demonstra que esse uso em escala comercial se tornou uma realidade em Santa Catarina. Isso integra a produção do campo, a logística da distribuidora e o consumo industrial, permitindo o aproveitamento de resíduos para gerar energia e receita”, comemorou Adilson Teixeira Lima, diretor-presidente da H2A Bioenergia.
Por Keli Vasconcelos – Jornalista
Foto: Divulgação – UFMT




