Sustentabilidade

Dia da Árvore: 40 anos da SOS Mata Atlântica e ações público-privadas reforçam cooperação multissetorial no país

Dia da Árvore 40 anos da SOS Mata Atlântica e ações público-privadas reforçam cooperação multissetorial no país - Portal Tec News

Celebrado nesta segunda-feira, 21 de setembro, o Dia da Árvore ganha um significado ainda mais urgente e simbólico no Brasil ao coincidir com os 40 anos da Fundação SOS Mata Atlântica, completados no domingo, dia 20. A data, criada para conscientizar sobre a preservação ambiental e a importância dos ecossistemas urbanos e florestais, encontra no marco de quatro décadas da ONG um exemplo concreto de resistência: pioneira na mobilização da sociedade civil, a entidade transformou a proteção de um dos biomas mais ameaçados do planeta em uma agenda pública permanente, provando que defender cada árvore é salvaguardar a biodiversidade, a segurança hídrica e a qualidade de vida nas cidades brasileiras.

Embora a Organização das Nações Unidas (ONU) celebre globalmente o Dia Internacional das Florestas em 21 de março, o Brasil adota o 21 de setembro como seu marco oficial, instituído em 1965 para coincidir com a véspera do início da primavera no Hemisfério Sul. A data funciona como uma resposta do calendário nacional ao apelo global de conservação, adaptando a urgência climática e a defesa da biodiversidade às particularidades dos biomas e dos ciclos naturais brasileiros.

 

Árvore: infraestrutura vital para o equilíbrio do planeta

Muito além da sombra nas cidades ou do valor estético na paisagem, as árvores desempenham funções vitais na regulação do equilíbrio climático mundial:

  • Estabilidade climática e sequestro de carbono: as florestas atuam como gigantescos sumidouros terrestres de carbono, absorvendo dióxido de carbono da atmosfera por meio da fotossíntese e mitigando diretamente o avanço do aquecimento global.
  • Ciclos hidrológicos e segurança hídrica: por meio da evapotranspiração, as árvores bombeiam bilhões de litros de água para a atmosfera diariamente, alimentando os chamados “rios voadores” que irrigam a agricultura, abastecem reservatórios urbanos e mantêm a regularidade das chuvas em escala continental.
  • Salvaguarda da biodiversidade: as copas e troncos estruturam habitats que abrigam mais de 80% das espécies terrestres de animais, insetos e plantas, servindo de sustentáculo para cadeias ecológicas fundamentais.
  • Proteção do solo e prevenção de desastres: os sistemas radiculares estabilizam encostas, retêm a umidade do solo e previnem deslizamentos de terra, erosão e processos de desertificação provocados por eventos climáticos extremos.

 

40 anos da SOS Mata Atlântica

Se o Dia da Árvore convoca a sociedade a refletir, a ação prática ganha contornos históricos na véspera da data. A Fundação SOS Mata Atlântica chega aos seus 40 anos de existência consolidada como um dos pilares mais decisivos para a conservação e restauração florestal no país. Criada em 1986, a organização nasceu em um momento crítico em que o bioma, historicamente o mais impactado pela urbanização e expansão socioeconômica, caminhava para a quase extinção de suas matas originais.

Ao longo de quatro décadas, a entidade transformou a relação entre ciência, cidadania e tecnologia a serviço da causa verde:

  • Pioneirismo em geotecnologia e monitoramento: a Fundação revolucionou o acompanhamento ambiental no país com o desenvolvimento do Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica, em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). O uso de imagens orbitais de satélite e sensoriamento remoto tirou a destruição da invisibilidade, gerando dados abertos e irrefutáveis que subsidiam a fiscalização pública e embasaram leis essenciais, como a Lei da Mata Atlântica.
  • Restauração em escala continental: mais do que fiscalizar, a organização assumiu a missão de devolver árvores ao solo. São mais de 40 milhões de mudas de espécies nativas plantadas ao longo de sua trajetória, recuperando áreas degradadas, reconectando fragmentos isolados de mata e protegendo bacias hidrográficas essenciais para o abastecimento de mais de 70% da população brasileira que vive sob a área do bioma.
  • Mobilização social e governança pública: a SOS Mata Atlântica pavimentou a atuação do terceiro setor na formulação de políticas públicas ambientais, fomentando a criação de Unidades de Conservação e demonstrando de forma contínua que o desenvolvimento econômico e o bem-estar urbano dependem diretamente da integridade das florestas.

Comemorar o Dia da Árvore ao lado do quadragésimo aniversário da fundação reforça que o futuro das florestas brasileiras não depende apenas de datas comemorativas, mas da união constante entre mobilização social, rigor científico e inovação tecnológica.

Foto: Divulgação

 

Algumas iniciativas público-privadas mostram a importância conferida à esta data no calendário nacional. Confira!

 

Gestão pública em ação: o caso de Osasco

A necessidade de expandir a cobertura vegetal encontra aplicação direta nas agendas municipais, onde a arborização urbana atua no controle térmico, na drenagem das águas pluviais e na mitigação de ilhas de calor. Na Região Metropolitana de São Paulo, a Prefeitura de Osasco estruturou a edição 2026 da sua Semana da Árvore articulando ações de campo e educação ambiental entre os dias 8 e 30 de setembro.

O cronograma do município prevê o plantio de 500 mudas em pontos estratégicos da malha urbana, distribuídas em três operações principais. A primeira mobilização ocorre nesta segunda-feira (21), no Parque Municipal Manoel Manzano, no bairro Metalúrgico, com a introdução de 350 espécimes nativos e atividades educativas sobre controle de fauna sinantrópica voltadas a estudantes da rede pública de ensino.

O cronograma operacional segue na quarta-feira (23) com o plantio de 50 mudas na Rua da Estação Central, integrando alunos e equipes do setor privado, por meio do Consórcio AVBN. No dia 24, outras 100 mudas serão inseridas na área do Hospital Veterinário municipal, no Parque Industrial Mazzei, em uma ação conjunta com voluntários corporativos da Cummins CDBS e turmas escolares da região.

Além das frentes de plantio, a programação desenvolvida pela Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh) de Osasco inclui oficinas de monitoria ambiental, manejo de orquídeas e conscientização sobre saneamento básico em escolas e centros comunitários. A iniciativa conecta as metas locais de expansão da infraestrutura verde aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU voltados a cidades resilientes, proteção da vida terrestre e enfrentamento das mudanças climáticas.

Foto: Prefeitura Osasco/Divulgação

Infraestrutura e PPPs: o exemplo de Parauapebas

No Norte do país, as intervenções de engenharia urbana também incorporam a recomposição vegetal como elemento central de saneamento e drenagem. No Pará, a Prefeitura de Parauapebas realizou uma operação de plantio de mudas às margens do Igarapé Lajeado, ao longo da Avenida dos Buritis, integrando o calendário alusivo ao Dia da Árvore.

A iniciativa foi coordenada pelo Prosap (Programa de Saneamento Ambiental, Macrodrenagem e Recuperação de Igarapés e Margens do Rio Parauapebas) em parceria com a empresa de engenharia Milplan. O modelo de cooperação público-privada combinou obras de macrodrenagem com a recuperação florestal das faixas ripárias, essenciais para conter processos erosivos e evitar o assoreamento dos cursos d’água urbanos.

Segundo Josino Lourenço, representante da divisão ambiental do Prosap, a estratégia busca atrelar a entrega das obras físicas à regeneração dos ecossistemas locais, mitigando os impactos das intervenções de infraestrutura com o envolvimento comunitário. Do lado corporativo, Vanessa Couto, porta-voz da Milplan, destacou que o apoio a essas iniciativas responde às diretrizes socioambientais da companhia, priorizando projetos que gerem passivos ecológicos reduzidos e benefícios diretos para a qualidade de vida da população vizinha às obras.

A recuperação do Igarapé Lajeado evidencia a tendência de convergência entre prefeituras e prestadores de serviços de engenharia, transformando áreas antes degradadas em corredores ecológicos que auxiliam no microclima local e na valorização dos espaços públicos.

Foto: Prefeitura Parauapebas/Divulgação

Gestão estratégica e reconhecimento internacional: a conquista de Patos

Além de plantios pontuais e ações associadas a obras de infraestrutura, a institucionalização de políticas contínuas de silvicultura urbana tem posicionado cidades brasileiras no radar de entidades globais de conservação. Na Paraíba, o município de Patos obteve a certificação internacional do programa Tree Cities of the World (Cidades Árvores do Mundo), chancelado pela Arbor Day Foundation em parceria com a Sociedade Brasileira de Arborização Urbana (SBAU).

A entrega da certificação ocorreu durante o 2º Simpósio das Cidades Brasileiras – Árvores do Mundo, em Cubatão (SP). Com a titulação, Patos passa a figurar em um grupo de apenas 52 municípios brasileiros — menos de 1% das cidades do país — que atendem a padrões internacionais de governança, inventário arbóreo, alocação orçamentária e legislação voltada ao manejo sustentável de suas florestas urbanas.

Durante a apresentação dos projetos da cidade, o secretário municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, Alex Wagner, vinculou o avanço na gestão do patrimônio vegetal aos debates de justiça climática, apontando a arborização como ferramenta essencial para reduzir vulnerabilidades térmicas e climáticas em centros urbanos do semiárido. A prefeitura, liderada pelo prefeito Professor Jacob Souto, projeta ampliar o investimento em viveiros e novos plantios viários nos próximos anos.

A certificação insere o município em uma rede colaborativa de cooperação técnica internacional, reforçando que a proteção da árvore na escala local exige dados estruturados, planejamento contínuo e métricas comparáveis de impacto socioambiental.

Foto: Prefeitura de Patos/Divulgação

 

A convergência entre datas comemorativas, a trajetória histórica de organizações como a SOS Mata Atlântica e a atuação prática nos municípios reforça que o futuro das florestas no Brasil, tanto nas matas nativas quanto nos centros urbanos, depende da aplicação rigorosa de dados técnicos, políticas públicas de longo prazo e compromisso compartilhado entre poder público, sociedade e setor produtivo.

Por Sofia Jucon – Jornalista

Redação do Portal Tec News