Antes, pensar em uma ação ambiental dentro de um condomínio se resumia a contratação de um sistema de coleta seletiva, coletores nas áreas comuns ou os tradicionais avisos nos elevadores para economizar luz e água. Agora, o assunto subiu de nível e as gestões condominiais se empenham para levar aos residenciais inovações e tecnologias a favor da sustentabilidade.
Um exemplo vem da cidade de Santos (SP), que por meio de articulação entre o Sindicato dos Condomínios Prediais do Litoral Paulista (SICON), o Sindexperience, a Associação dos Engenheiros e Arquitetos de Santos (AEAS), o Movimento ODS Santos e o Departamento de Políticas de Desenvolvimento Sustentável (Depods), realiza atividades com síndicos e população sobre práticas ESG.
Neste mês, a AEAS foi palco de uma capacitação para a aplicabilidade de boas práticas ambientais, sociais e de governança em edifícios residenciais. A verticalização, aliás, é parte da paisagem santista, o que também demanda aos síndicos e condôminos a construção de uma cidade mais sustentável a partir de suas moradias.
Para agraciar as ações, a articulação lançou o Prêmio ESG dos Condomínios, com resultado previsto para março de 2027, em que os participantes desenvolverão ações voltadas à sustentabilidade, inovação e inclusão, sendo premiados com Selos Ouro, Prata e Bronze.
Síndico mediador
Tiago Vallejo, síndico profissional e idealizador do Sindexperience, explica que a prêmio vai além de fomentar os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) ou mesmo “travar” uma competição entre residenciais pequenos, médios e grandes, mas elevar práticas ligadas a temas mais sensíveis como a acessibilidade e a convivência pacífica entre moradores.
“Os ODS, muitas vezes, já são aplicados no dia a dia dos síndicos. A proposta do prêmio é torná-los mais acessíveis aos condôminos. O síndico, por sua vez, não vai precisar competir com o condomínio de grande porte, com uma construtora com grandes ações de sustentabilidade. Vamos levar em conta e – isso será pontuado – a forma de fazer a mediação, de ser um síndico mediador, porque envolve diretamente o ESG”, ressalta.
Mercado imobiliário brasileiro apresenta reporte
O Grupo Lello, que em 2026 celebra sete décadas, apresentou recentemente o primeiro Relatório de Sustentabilidade de uma empresa do mercado condominial brasileiro (exercício 2025; confira aqui). O documento traz métricas ESG em um ecossistema que abrange mais de 4,2 mil condomínios, 100 mil fornecedores, 12 mil imóveis gerenciados e 1,5 milhão de clientes.
Entre os achados, o grupo conta com um robusto sistema de gestão de água, resíduos e programas de gestão de pessoas dentro de suas operações. Em números, a geração de resíduos pela organização foi de 106,7135 toneladas (recicláveis, lixo comum e eletrônicos) no período analisado, sendo que 27,17 toneladas de recicláveis e 2,16 toneladas de eletrônicos foram destinadas à reciclagem, enquanto 79,54 toneladas de lixo comum foram para aterro sanitário, por meio do sistema público de coleta.
Segundo informações divulgadas pelo site Ciclo Vivo, o Grupo Lello pretende concluir até o primeiro semestre de 2027 o seu primeiro Inventário Corporativo de Emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE) sob padrões internacionais, estabelecendo a linha de base para futuras reduções.
Por Keli Vasconcelos – Jornalista
Foto: Carlos Nogueira – Prefeitura de Santos (SP)




