Um levantamento da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil), em parceria com a consultoria Humanizadas, mostra uma realidade já sentida no ambiente de negócios: a consolidação da agenda de sustentabilidade nas operações, ou seja, não se trata mais de um tema acessório e passa a fazer parte do DNA corporativo, traduzindo que o crescimento só é conquistado quando se alia a jornada ESG.
Em números, a mais recente edição do Panorama da Sustentabilidade (mais informações) revela que 74% dos executivos entrevistados reconhecem valor na agenda, com destaque para reputação, enquanto 65% apontam ganhos de eficiência operacional, indicam redução de custos (60%), e impactos em receita (49%) e margens (41%).
Ao apontar os temas regulatórios, a pesquisa destaca que a nova Norma Regulamentadora 1 (NR-1) e questões relacionadas à saúde e bem-estar (42%) foram os destaques dos participantes; seguido de economia circular (34%) e mercado regulado de carbono (25%). Também aparecem questões relacionadas à cadeia de fornecedores, reporte e transparência, incluindo IFRS S1/S2 e CSRD/ESRS, destaca o documento.
Mensuração financeira: gap a ser superado
Na outra ponta, um dos grandes entraves dessa jornada nas corporações envolve finanças. Apenas 34% das empresas conseguem medir o retorno financeiro de forma estruturada das ações de sustentabilidade, e, para piorar, 44% apontam a mensuração financeira como principal barreira.
“Na prática, isso reforça o desafio de traduzir o valor da sustentabilidade para a linguagem dos negócios. Empresas que conseguirem transformar sustentabilidade em resultado mensurável — conectando essa agenda à receita, eficiência e gestão de riscos — tendem a ter mais sucesso”, observa Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil.
Compromisso em ativar a agenda
As formas para que o compromisso efetivo das empresas ative a agenda a transforme em valor dependerão de fatores que vão do planejamento estratégico, decisões cotidianas e de mecanismos de controle externo que garantam a transparência das ações.
Na opinião de Carlos Santana, fundador da Tecnobank e da CS Invest, a incorporação de práticas ambientais, sociais e de governança deve fazer parte da cultura organizacional, o que proporciona solidez no tempo presente para arquitetar ações que progridam no futuro.
“Não acredito em sustentabilidade construída para só a empresa se aparecer. O compromisso, aliás, precisa existir quando ninguém está olhando. Vale lembrar ainda que governança não se constrói com uma campanha. Ela é resultado de anos de decisões coerentes”, conclui o executivo, ao Terra.
Por Keli Vasconcelos – Jornalista
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