Mudanças Climáticas

Previsões alertam para pico do El Niño no final de 2026; municípios se preparam

Previsões alertam para pico do El Niño no final de 2026 municípios se preparam - Portal TECNEWS Ambiental

O fenômeno El Niño, mais acentuado entre 2026 e 2027, está mobilizando diversas áreas da economia, com destaque aos municípios brasileiros. E o motivo ainda é mais preocupante: segundo alerta da Organização das Nações Unidas (ONU), o evento climático terá intensidade “sem precedentes”, atingindo o seu pico no final deste ano no mundo.

Isso significa que as temperaturas da superfície do mar no Pacífico tropical, epicentro do El Niño, poderão subir para 3,8°C acima da média, entre os meses de novembro de 2026 e janeiro de 2027, informa matéria da CNN, destacando a importância de auxiliar as populações mais vulneráveis diante desse cenário.

No Brasil, de acordo com boletim da Confederação Nacional dos Municípios (CNM; mais informações), apenas entre 1º de julho e 30 de setembro, 6,9 milhões de brasileiros foram impactados por fenômenos climáticos como ondas de calor, seca, vendavais e inundações, sendo que 1.035 cidades emitiram decretos de emergência e/ou estado de calamidade pública e foram registradas 25 mortes causadas por esses desastres.

 

Defesa Civil

 

Durante a 2ª edição do Encontro Nacional de Defesas Civis Municipais, ocorrida em outubro, o debate central abrangeu os desafios frente às mudanças climáticas, especialmente no âmbito das localidades.

Para um dos palestrantes, o ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), Augusto Nardes, o país ainda carece de estratégias de médio e longo prazo para esse tema. Ressaltou ainda a relevância das Defesas Civis municipais, porém apontou a necessidade estrutural adequada desse instrumento.

“Mas não há ainda treinamento para fazer a boa governança e a prevenção. As Defesas Civis não estão envolvidas nos planos de discussão e da emergência, não têm participação no processo. Se não participarem, ninguém fica sabendo as dificuldades que têm”, alertou.

 

Agricultura

 

Outra grande preocupação decorrente desse evento climático é sobre a agricultura. Segundo modelo matemático desenvolvido pelo Rabobank, com base no histórico do El Niño no país, a probabilidade em encarecer os alimentos in natura poderá chegar até 20%.

Isso varia conforme a intensidade e a duração dos impactos e força do fenômeno, consequentemente, as condições de safra e o cenário econômico, reforçando as atenções diante dos riscos, como irregularidade das chuvas, seca, perdas produtivas e conservação dos alimentos.

“O calor custa caro e vai custar muito mais caro até o final do ano. Os produtores rurais e empresas precisam se preparar para reduzir prejuízos em todas as etapas da cadeia produtiva”, frisou à Rádio Itatiaia, o engenheiro Ricardo Valentini.

 

Por Keli Vasconcelos – Jornalista

Foto: Mariana Luciano/ Agência CNM