Uma carta aberta de entidades do setor elétrico brasileiro foi divulgada recentemente com o propósito em defender a equiparação regulatória das baterias (BESS, Battery Energy Storage Systems) às demais soluções de capacidade no custeio da Reserva de Capacidade.
Atualmente, os custos de armazenamento exclusivamente recaem aos geradores, o que gera distorções de mercado e repasses indiretos de preços ao consumidor final, afirmam os signatários.
Estudo da VOLT Robotics mostra ainda que o sistema BESS é apto a reduzir a variação do preço da energia (PLD) e o acionamento de termelétricas, gerando economia superior a R$ 1,6 bilhões ao ano para o consumidor.
“A atribuição legal deste custo aos geradores não altera o fato econômico do seu repasse ao consumidor final. No ambiente regulado, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) já reconheceu o dever de inclusão integral e automática deste custo às tarifas de energia. No ambiente livre, haverá renegociação ou reajuste de preços, enquanto na autoprodução se tornará custo dos bens e serviços, afetando a competitividade da indústria brasileira, e impactando o consumidor final”, aponta o documento.
O manifesto foi assinado pelas Associações Brasileiras de Energia Eólica e Novas Tecnologias (ABEEólica), a dos Investidores em Autoprodução de Energia (ABIAPE), a da Indústria do Hidrogênio Verde (ABIHV), a de Soluções de Armazenamento de Energia (ABSAE), a de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR) e a dos Produtores Independentes de Energia Elétrica (APINE).
Certificação
Para Vinicius Gibrail, diretor da Divisão de Produtos Solares e Comerciais, da certificadora TÜV Rheinland, o armazenamento por baterias é considerado vital ao setor de energia, porém é necessária a checagem de padrões para garantir que esses equipamentos sejam seguros, reduzindo riscos de explosão ou vazamento térmico.
O especialista, em seu artigo, explica que, diferentemente de componentes convencionais, as baterias de grande porte trazem desafios técnicos, que vão desde eventos térmicos até a complexa interação com inversores e sistemas de controle.
“Nesse contexto, certificar um sistema BESS vai muito além de cumprir burocracias: trata-se de atestar, via entidades independentes, que aquele conjunto de equipamentos atingiu um nível reconhecido de segurança, desempenho e conformidade. O Brasil tende a seguir esses passos internacionais, adaptando-os ao contexto local. Enquanto normas oficiais para armazenamento on-grid ainda estão em elaboração, espera-se que sejam alinhadas com os padrões IEC e IEEE globais para permitir que tecnologias e soluções amplamente testadas lá fora sejam adotadas aqui sem atrasos”, observa Gibrail.
Por Keli Vasconcelos – Jornalista
Foto: Divulgação




