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Técnica inédita acelera restauração florestal e reduz o tempo para a regeneração de áreas florestais

Técnica inédita acelera restauração florestal e reduz o tempo para a regeneração de áreas florestais - Portal TECNEWS Ambiental

Árvores que normalmente levariam mais de dez anos para produzir suas primeiras flores e frutos estão iniciando esse processo em menos de um ano. O resultado, inédito no mundo, já pode ser observado em áreas em recuperação em Brumadinho (MG), onde uma tecnologia desenvolvida pela Universidade Federal de Viçosa (UFV), em parceria com a Vale, vem acelerando a restauração florestal e antecipando ciclos naturais que, em condições normais, levariam décadas.

Nomeada de “Resgate de DNA e indução de florescimento precoce em espécies florestais nativas”, a técnica integra conhecimentos avançados de genética, silvicultura e fisiologia vegetal para acelerar a recuperação de áreas degradadas, reduzindoo tempo para o processo de regeneração natural.

A metodologia parte do resgate do material genético de árvores nativas da própria região, como jacarandá-caviúna, ipê-amarelo, jequitibá, braúna, cedro, canela-sassafrás e guanandi, permitindo copiar indivíduos com as mesmas característicasgenéticas. O processo garante a conservação da biodiversidade local e a preservação do patrimônio genético das espécies, além de fornecer importantes serviços ecossistêmicos como alimentação para a fauna silvestre, além de antecipar em muitos anos a dispersãodos materiais genéticos presentes nos pólens e sementes na natureza, ampliando o aumento da variabilidade das espécies nativas na região.

 

Interações ecológicas

 

O principal diferencial está na indução do florescimento precoce das mudas produzidas. Com isso, plantas jovens passam a gerar flores e frutos muito antes do ciclo natural esperado, acelerando o retorno das interações ecológicas, atraindofauna, favorecendo a dispersão de sementes e restabelecendo o equilíbrio dos ecossistemas.

Na prática, equipes realizam o resgate do material genético diretamente nas áreas impactadas. O conteúdo é encaminhado para laboratórios especializados em Viçosa (MG), onde passa por processos de propagação vegetativa, assegurando variabilidadegenética e adaptação às condições ambientais locais.

“Aplicamos essa técnica em Brumadinho, de forma inédita no mundo, em parceria com a Vale, há cerca de 6 anos. Hoje, já temos resultados concretos em laboratório e em campo, além de evidências científicas de que ela acelera significativamentea recuperação ambiental. Ver árvores produzindo flores e frutos em tão pouco tempo demonstra o potencial dessa tecnologia e o legado que ela pode deixar para as próximas gerações”, afirma o professor do Departamento de Engenharia Florestal da UFV (DEF/UFV),Gleison dos Santos.

Ao todo, foram coletados materiais genéticos de 320 plantas, pertencentes a 30 espécies nativas, incluindo espécies ameaçadas de extinção e protegidas por lei. O projeto conta ainda com a gestão da Sociedade de Investigações Florestais(Fundação SIF).

“Mais do que restaurar áreas degradadas, essa tecnologia acelera o retorno do funcionamento natural da floresta. Flores, frutos, polinizadores, dispersão de sementes e fauna voltam a ocorrer de forma antecipada, fortalecendo a biodiversidade.Além da aplicação em Brumadinho, temos recebido pesquisadores e representantes de órgãos públicos de diferentes regiões do Brasil interessados em conhecer a técnica e sua aplicação em campo”, destaca Felipe Peixoto, analista ambiental da Vale.

Até o momento, cerca de 250 hectares estão em processo de recuperação ambiental em Brumadinho, com aproximadamente 290 mil mudas plantadas, utilizando diferentes técnicas de restauração em áreas diretamente atingidas, reservas legais eÁreas de Preservação Permanente (APPs). A iniciativa integra um esforço contínuo de inovação, ciência aplicada e responsabilidade socioambiental.

 

Tecnologia será aplicada na recuperação de áreas atingidas pelas enchentes no Rio Grande do Sul

 

Após os resultados promissores observados em Brumadinho, a tecnologia, aplicada pela UFV, também deverá apoiar ações de restauração ambiental em áreas afetadas pelas enchentes no Rio Grande do Sul. As inundações de 2024 impactaram extensasáreas do estado, afetando margens de rios, vegetação nativa e habitats da fauna. O objetivo é utilizar a técnica para acelerar a recuperação das matas ciliares, fortalecer a proteção das margens dos rios e contribuir para a prevenção de novos processos erosivose impactos associados a eventos extremos.

A previsão é de que as ações ocorram ao longo de três anos, envolvendo etapas como coleta de material genético em campo, propagação e enxertia de mudas, indução do florescimento precoce e posterior plantio em regiões impactadas.