Pouco explorada, mas muito pertinente na sustentabilidade, a Avaliação de Ciclo de Vida (ACV) é uma metodologia de análise abrangente dos impactos gerados em cada etapa das operações de produtos e serviços. Vale lembrar que isso além das características imediatas de um item ou tarefa, especialmente em áreas pujantes e que requerem muitos recursos, como a construção civil.
Para se ter uma ideia, somente em julho, esse mercado registrou saldo de 12.691 vagas formais no mercado brasileiro, o segundo melhor desempenho entre os setores da economia no mês, atrás apenas de Serviços, puxado justamente no setor obras de infraestrutura, com 7.087 novos postos, segundo o Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged), divulgado pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e analisado pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC).
Da produção ao descarte, a ACV verifica pormenores, que vão desde a contratação de pessoas, passando pela extração de matérias-primas, produção, distribuição, uso e disposição final, contribuindo para operações feitas com trabalho digno, mitigando riscos ambientais, e em consonância com a jornada ESG.
“No contexto dos materiais de construção, a ACV oferece uma abordagem holística e sistemática para avaliar o desempenho ambiental e identificar oportunidades de otimização de projeto, entre outras melhorias. Quantifica impactos como emissões de carbono, consumo de energia, água, poluição do ar, geração de resíduos e esgotamento de ecossistemas”, frisa Agustina Iñiguez, arquiteta em Buenos Aires (Arg.), em artigo ao Arch Daily.
Biomassa como fonte de energia para cerâmicas e revestimentos
Tal estratégia norteou o Grupo LAMOSA no Brasil, empresa de origem mexicana com atuação mundial na fabricação e comercialização de revestimentos cerâmicos e adesivos, detentora das marcas Roca Cerámica e Incepa.
A companhia implantou a ACV em 2020 para avaliar os impactos ambientais de seus produtos na unidade de Campo Largo (PR), cujos resultados identificaram oportunidades de redução de impactos, subsidiando, entre outras iniciativas, a substituição do coque de petróleo por biomassa (composta por pallets e briquetes de madeira de pinus) como fonte de energia térmica nas operações, implementada em 2021 em todos os parques fabris, todos no Paraná.
A avaliação desses impactos determinou o direcionamento de métodos de redução e adaptações nas operações. Atualmente, a empresa colhe resultados promissores, como a diminuição de 33% nas emissões de gases de efeito estufa (GEE) associadas a esse tipo de combustível.
Outro feito foi em 2025, com iniciativa de reaproveitamento energético, economizando 42 mil GJ (gigajoule) de energia, volume suficiente para manter mais de 247 mil fogões de cinco bocas funcionando continuamente. “Sempre existiu dentro da empresa o desejo de ser sustentável e uma preocupação genuína com o meio ambiente, faltava estruturar com pesquisa, coleta de dados e mensuração. Quando começamos a medir, conseguimos entender onde estavam os impactos e estabelecer caminhos concretos para reduzi-los”, comenta Sergio Wuaden, Managing Director do Grupo LAMOSA no Brasil.
Esse trabalho fica por conta da consultoria UGREEN, que desenvolve os relatórios de sustentabilidade do Grupo. “O diagnóstico é importante porque permite transformar uma percepção em informação. Quando sabemos onde estão os impactos mais relevantes, conseguimos estabelecer prioridades, acompanhar a evolução dos indicadores e tomar decisões mais assertivas”, explica Sami Meira, sócia da consultoria e responsável pela elaboração do report.
Por Keli Vasconcelos – Jornalista
Foto: Rodolfo Bührer




