Responsáveis pelo equilíbrio nos oceanos, os recifes de corais são os principais impactados pela crise climática, o que acarreta prejuízos a todo um sistema, principalmente na costa brasileira.
Para sanar tal demanda, entidades se movimentam em ações de preservação. Uma delas é o Ministério Público Federal (MPF), que realizou recentemente uma reunião para discutir estratégias para conscientizar os visitantes do litoral alagoano sobre a retirada irregular de fragmentos de corais, conchas e outros organismos marinhos, impactando negativamente os ecossistemas costeiros, principalmente os inseridos na Área de Proteção Ambiental (APA) Costa dos Corais
A ação foi motivada após encontrar tais itens em inspeções nas bagagens de passageiros nos aeroportos. Uma das propostas é a entrega voluntária de fragmentos e medidas educativas aos turistas e moradores locais para o desestímulo dessa prática. “Prevê-se a instalação de recipientes específicos nos aeroportos, em modelo semelhante ao utilizado para o descarte de objetos proibidos em bagagens de mão, permitindo que os passageiros devolvam os materiais antes do embarque”, informa nota do MPF.
O estado tem larga expertise em preservação, com reconhecimento internacional como Projeto da Década do Oceano pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). Trata-se do Projeto Corais de Alagoas, que tem como criadoras a Secretaria de Turismo (Setur) e Universidade Federal de Alagoas (Ufal), focada em sensibilizar sociedade, cientistas e formuladores de políticas em torno da conservação do oceano.
“Queremos mostrar não só para a população alagoana, mas para os turistas como é fundamental preservar os recifes de coral no nosso estado”, endossa a superintendente de Planejamento e Prospecção de Negócios Turísticos, Milena Araújo.
Sementeiras em prol dos corais
Já na Bahia, o Projeto Mares (mais informações) realizou o Curso Técnico de Restauração de Corais, na produção das primeiras 1 mil sementeiras para o cultivo de colônias da espécie de coral Millepora alcicornis, que serão levadas aos berçários marinhos antes de serem implantadas na Área de Proteção Ambiental (APA) Recife das Pinaúnas, em Vera Cruz, na Ilha de Itaparica.
Além das sementeiras, 5 mil ao todo, foram confeccionadas 40 mesas que funcionarão como berçários das colônias. “Depois de conhecer os fundamentos da restauração, os participantes passam a construir as estruturas que irão sustentar o cultivo das colônias e, posteriormente, a recuperação dos recifes. É quando compreendem todo o ciclo do trabalho e percebem que cada etapa é essencial para o sucesso da restauração”, explica Ricardo Miranda, coordenador científico do projeto.
Coalização
Já o Distrito Federal foi palco recentemente do primeiro encontro do Comitê Deliberativo da Coalizão Corais do Brasil, grupo formado durante a COP30, em Belém, por iniciativa do WWF-Brasil e da Fundação Grupo Boticário.
Na oportunidade, foram alinhados assuntos como a política de governança, estratégias e definição participativa dos membros nos Grupos de Trabalho (Mitigação de Ameaças, Expansão da Proteção, Aceleração da Restauração, Mobilização de Investimentos e Monitoramento).
“A expectativa é que a coalizão sirva de conexões e sinergias entre várias iniciativas de conservação, manejo, pesquisa e conhecimento sobre recifes de corais no Brasil, que vêm sofrendo muito com o aumento de temperatura, além das pressões na zona costeira”, conta uma das participantes, a professora Beatrice Padovani, especialista em conservação marinha, do departamento de Oceanografia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).
Por Keli Vasconcelos – Jornalista
Foto: Setur/Ufal/Divulgação




