Sustentabilidade

Semana do Meio Ambiente: corporações celebram a data aplicando IA, economia circular e transição energética em suas operações

Semana do Meio Ambiente corporações celebram a data aplicando IA, economia circular e transição energética em suas operações - Fitec Tec News

No dia 5 de junho, o mundo celebrou o Dia Mundial do Meio Ambiente, data que encerrou uma intensa semana de debates, mobilizações e balanços sobre a saúde do planeta entre os dias 1 e 5 de junho. Diante de um cenário global desafiador, marcado por eventos climáticos extremos e a urgência de metas de descarbonização, o ecossistema empresarial e a indústria brasileira assumem o papel de catalisadores da transformação. O grande objetivo da data não é apenas pautar a conservação, mas acelerar a implementação prática de agendas ESG (Ambiental, Social e Governança) que conciliem desenvolvimento tecnológico, segurança jurídica e preservação dos recursos naturais para as próximas gerações.

Instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU) durante a histórica Conferência de Estocolmo, em 1972, o Dia Mundial do Meio Ambiente consolidou-se como a principal plataforma global de sensibilização pública ambiental. Desde a sua criação, a data evoluiu de um manifesto de preservação para um chamado de ação estratégica. Atualmente, os esforços globais concentram-se na Década da ONU da Restauração de Ecossistemas, cujo propósito é reverter a degradação de florestas, solos e oceanos, transformando passivos ambientais em novas matrizes econômicas sustentáveis e circulares.

Globalmente, nações como a Dinamarca e a Costa Rica lideram o cenário com exemplos bem-sucedidos de matrizes elétricas quase 100% limpas e políticas severas de neutralidade de carbono. No Brasil, o panorama revela uma dupla jornada: ao mesmo tempo em que o país enfrenta pressões internacionais pelo combate ao desmatamento ilegal, destaca-se como uma potência em bioeconomia, transição energética e inovação agroindustrial. A maturidade do mercado brasileiro em fontes renováveis, como a energia solar e a eólica, além do desenvolvimento do mercado de créditos de carbono, coloca o país em uma posição de liderança competitiva na nova economia de baixo carbono.

Nesse contexto, a contribuição do setor empresarial vai muito além do cumprimento de obrigações legais; tornou-se um motor de valorização das boas práticas de mercado. Companhias dos mais diversos segmentos vêm readequando suas cadeias de suprimentos, investindo em eficiência hídrica, logística reversa de embalagens e na substituição de combustíveis fósseis por matrizes limpas, como o biometano e o hidrogênio verde. Essa postura proativa não apenas reduz o impacto ambiental direto, mas mitiga riscos operacionais, atrai investimentos verdes e responde à demanda de um consumidor cada vez mais consciente e exigente.

 

Vitrines da Semana do Meio Ambiente

 

A Semana Mundial do Meio Ambiente consolidou-se como um marco para a apresentação de resultados tangíveis de sustentabilidade no Brasil. Abaixo, detalhamos como diferentes setores, da infraestrutura logística à indústria de alta tecnologia, estão liderando a transição para uma economia de baixo carbono através de investimentos reais e engajamento prático.

 

Camorim: Economia circular e transição energética no setor marítimo

Com três décadas de atuação e uma frota superior a 150 embarcações, a Camorim Serviços Marítimos estruturou suas ações com foco na modernização e redução de impactos na navegação nacional. A companhia transformou a gestão de resíduos têxteis com o projeto “Upcycling: Ressignificando resíduos”, que redireciona uniformes e Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) usados para a confecção de novos itens funcionais, como bolsas, nécessaires e capas para laptops. Desde o segundo semestre de 2025, a iniciativa evitou o descarte de 155 kg de materiais, gerando cerca de 600 produtos e mitigando a emissão de 186,5 kg de CO2 equivalente na atmosfera.

Na frente de eficiência energética, a empresa expandiu o Projeto Luz-Terra nos portos do Rio de Janeiro e de Itaguaí. A tecnologia permite que os rebocadores se conectem a uma fonte fixa de energia elétrica em terra durante os períodos de espera operacional, eliminando a necessidade de manter motores ligados e reduzindo drasticamente o consumo de diesel e as emissões associadas.

Foto: Camorin/Divulgação

“O setor marítimo possui desafios importantes em sustentabilidade por se tratar de operações complexas, mas o mercado hoje valoriza operações responsáveis, e entendemos que esse é um caminho sem volta”, destaca Plínio Sales, diretor estratégico da Camorim, apontando que o estaleiro da marca em Niterói (RJ) já conta também com painéis solares e captação de água da chuva.

 

RIO – Riosulense: neutralização de emissões e método Lixo Zero aos 80 anos

A fabricante de peças automotivas RIO, ao celebrar 80 anos de história em 2026, anunciou a neutralização integral de suas emissões de Escopo 2, voltadas ao consumo de energia elétrica de sua planta industrial de 32.000 m² em Rio do Sul (SC). O avanço foi consolidado após a realização do primeiro inventário de emissões da empresa e viabilizado por meio da aquisição trimestral de Certificados Internacionais de Energia Renovável (I-RECs), compensando aproximadamente 1.600 toneladas de CO2 equivalente por ano. No chão de fábrica, a empresa otimizou o processo de fundição ao substituir ferroligas virgens por aço inox, reduzindo a intensidade de carbono nas etapas de fusão.

Em paralelo, a RIO associou-se à organização internacional Global Zero Waste e iniciou o processo de auditoria externa para a certificação do Sistema de Gestão Lixo Zero, estruturado sob a metodologia dos 9R’s. Com o suporte técnico da certificação em conformidade com a Norma ISO 14001, conquistada pela marca em 2023, a indústria padronizou e automatizou fluxos que hoje garantem índices superiores a 90% de reciclagem dos resíduos gerados e acima de 75% de recirculação interna de materiais descartados.

Foto: RIO Sulense/Divulgação

“A adoção das diretrizes Lixo Zero trouxe método, indicadores e transparência para práticas que já faziam parte do nosso dia a dia”, afirma o gerente técnico Clebson Atilio Ferreira, endossado pelo CEO Ornelio Kleber, que aponta o viés competitivo e a longevidade dos negócios atrelados à publicação do primeiro Relatório de Sustentabilidade da marca.

 

Shopping Pelotas: gestão de resíduos orgânicos e conscientização comunitária

No setor de varejo e grandes empreendimentos, o Shopping Pelotas consolidou seu compromisso socioambiental através do projeto Repensa, um programa permanente baseado nos pilares Recolhe, Recicla, Replanta e Reduz. O principal destaque operacional está na gestão dos resíduos orgânicos coletados diretamente nas cozinhas e restaurantes da Praça de Alimentação. As sobras de alimentos passam por um processo biológico interno de compostagem rápida acelerada, transformando passivos de descarte em adubo orgânico de alta qualidade.

Foto: Shopping Pelotas/Divulgação

O composto resultante do tratamento biológico é fracionado e disponibilizado de forma totalmente gratuita aos clientes e moradores locais pelos corredores do shopping, estimulando a jardinagem doméstica e impedindo que toneladas de materiais sobrecarreguem os aterros sanitários do sul do Rio Grande do Sul. O shopping center, que registra um fluxo mensal de 350 mil consumidores, detém ainda a chancela internacional da COMERC Energia, atestando que toda a sua matriz energética é oriunda de fontes limpas e renováveis no mercado livre.

 

Pacto Global da ONU: adaptação climática como métrica de risco e retorno financeiro

O gerente executivo de Meio Ambiente do Pacto Global da ONU – Rede Brasil, Rubens Filho, trouxe à tona a urgência da adaptação climática como competência essencial de governança corporativa. Diante de relatórios científicos que apontam a probabilidade de um novo ciclo de El Niño entre 2026 e 2027, com impactos severos sobre a produtividade, o foco do setor privado deve se mover do campo reativo para o planejamento financeiro e proteção de ativos. Segundo a organização, mais da metade do PIB global depende diretamente de serviços ecossistêmicos saudáveis.

Por meio de plataformas temáticas, a Rede Brasil tem liderado frentes de ação integrada: o Hub de Biocombustíveis e Elétricos estruturou um Roadmap Tecnológico para a descarbonização do transporte pesado de cargas com 132 ações coordenadas, apontando caminhos para reduzir em até 88% as emissões do segmento rodoviário. No campo, o Grupo de Trabalho de Agricultura Sustentável reúne mais de 60 grandes marcas para escalar o manejo regenerativo do solo e mapear mais de 30 linhas verdes de financiamento. Adicionalmente, as iniciativas do Movimento + Água e do Ocean Centres Brazil atuam na proteção de bacias hidrográficas e na descarbonização portuária.

 

ANTT: regulação indutora e R$ 16,5 bilhões contratualizados para a agenda ESG

A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) reposicionou a sustentabilidade no centro da regulação e do planejamento da infraestrutura de transportes no Brasil. A agência passou a condicionar novos contratos de concessão rodoviária e ferroviária ao cumprimento de critérios técnicos socioambientais rígidos e metas ESG. O principal vetor desse avanço é o Programa de Sustentabilidade para Infraestrutura (PSI), instituído pela Resolução nº 6.057/2024, em conjunto com o ambiente experimental do Sandbox Regulatório, que abre espaço para testes de pavimentos ecoeficientes e monitoramento de riscos climáticos.

Foto: ANTT/Divulgação

Estudos integrados conduzidos pelas superintendências técnicas de Infraestrutura Rodoviária (SUROD), Transporte Ferroviário (SUFER) e Concessão da Infraestrutura (SUCON) apontam que as novas diretrizes têm o potencial de mobilizar R$ 16,5 bilhões em investimentos privados voltados exclusivamente a metas socioambientais nos próximos anos.

“Mais do que estabelecer exigências, buscamos criar incentivos para que as concessionárias incorporem sustentabilidade, inovação e gestão climática às suas estratégias, fortalecendo a resiliência da infraestrutura nacional”, salienta a superintendente de Sustentabilidade, Pessoas e Inovação da ANTT, Cyntia Ruas.

 

Schneider Electric: inovação digital para conter a crise da eficiência energética

A Schneider Electric acendeu um alerta global com base nos dados do Global Status Report for Buildings and Construction, evidenciando que a construção civil e a operação predial respondem por 34% da demanda energética e por 37% das emissões mundiais de CO2. No atual panorama de expansão acelerada das ferramentas de Inteligência Artificial e processamento de dados, a Agência Internacional de Energia (AIE) prevê que o consumo elétrico de data centers pode dobrar globalmente até 2030, tornando o monitoramento digital imediato uma questão de sobrevivência de mercado.

Para mitigar esse cenário, a multinacional tem acelerado a oferta e a implementação de softwares de inteligência operacional, eletrificação avançada e automação industrial.

Gabriel Estay – Foto: Fernandez/SE/Divulgação

“A transição energética não depende mais de soluções experimentais. Hoje existem tecnologias concretas que permitem monitorar consumos e avançar de forma mensurável. O principal desafio é acelerar sua implementação em larga escala para que as corporações consigam reduzir o desperdício sem abrir mão de sua competitividade”, explica Gabriel Estay, diretor de vendas da marca na América Latina.

 

TIM: Inteligência Artificial a serviço da gestão de energia 100% renovável

Consolidando uma trajetória iniciada em 2017 com geração distribuída, a TIM atingiu o patamar de abastecer mais de 20 mil antenas de telefonia no país através de 136 usinas terceirizadas arrendadas (abrangendo matrizes solares, hídricas e de biogás) distribuídas por 23 estados e pelo Distrito Federal. Essa infraestrutura responde por uma produção anual de 474 gigawatt-hora, volume equivalente ao consumo de cidades de grande porte. Operando com matriz 100% limpa assegurada por contratos de mercado livre e certificados I-RECs, a operadora iniciou em 2025 o uso de ferramentas proprietárias de Inteligência Artificial para auditar o consumo da rede.

Foto: Minha Operadora/Reprodução

O sistema de IA monitora e confronta em tempo real os dados de faturamento energético com os históricos de performance das antenas, acusando desvios térmicos, inconsistências de medição das concessionárias locais ou falhas operacionais em estágios preliminares. O rigor na descarbonização garantiu à TIM a inserção na prestigiada “A List” do CDP (Carbon Disclosure Project), distinção alcançada por apenas 4% das corporações globais, além de figurar de forma ininterrupta há 18 anos no Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE) da B3.

 

Operação Enrede: logística reversa e moeda social nos manguezais de Santos

Unindo sustentabilidade corporativa e impacto social direto, a Operação Enrede organizou uma série de ações comunitárias no bairro Jardim São Manoel, no Estuário de Santos (SP). Promovido pelo Instituto Nova Maré (INMAR) com o patrocínio da Santos Brasil e da CMA CGM, o projeto reuniu colaboradores voluntários e moradores locais em um mutirão focado na remoção física de passivos ambientais e lixo plástico acumulados nas áreas de preservação permanente de manguezais.

Foto: Instituto Nova Maré (INMAR)/Divulgação

O diferencial da iniciativa está no modelo de economia circular baseado na moeda social “Guará”. Os moradores trocam cada quilograma de plástico rígido limpo e coletado por uma moeda social própria. Os recursos são revertidos no abastecimento da Loja Comunitária Enrede, um espaço fixo que fornece insumos essenciais de nutrição (arroz, feijão, ovos, óleo e laticínios), produtos de higiene e materiais escolares para a população periférica. O projeto equilibra a conservação de ecossistemas costeiros vitais com segurança alimentar e geração de pertencimento comunitário.

 

Desenvolvimento sustentável

 

Esses cases demonstram que promover o Dia e a Semana do Meio Ambiente é, portanto, um exercício de inteligência de mercado. A consolidação de uma cultura sustentável no ambiente corporativo e público demonstra que rentabilidade e responsabilidade ambiental caminham juntas. O Tec News registra este período de celebração reforçando que a inovação tecnológica e o compromisso da liderança empresarial são as ferramentas fundamentais para transformar as metas em prol do desenvolvimento sustentável em realidade concreta e duradoura.

 

Por Sofia Jucon – Redação Tec News

 

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