Um levantamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) mostra que, até o momento, 35 empresas atuam na exploração e produção de petróleo e gás natural no Brasil (2025), sendo 27 de pequeno porte e oito de médio porte.
Em números (2024), a média de produção geral está em 1.765 barris de óleo equivalente por dia (boe/d) de petróleo e gás natural, enquanto as companhias de médio porte alcançaram uma vazão média de 22.302 boe/d. As razões para esse crescimento, segundo a agência, abrangem redução de royalties para pequenas e médias, incentivo ao programa de desinvestimento da Petrobras, prorrogação de contratos de concessão mediante novos investimentos nos campos e redução da alíquota de royalties sobre a produção incremental.
Nesse pool de fomento também está a descarbonização, especialmente às empresas no Nordeste (confira mais no Portal TECNEWS), como no caso do Programa de Apoio à Competitividade das Micro e Pequenas Indústrias (Procompi), da Confederação Nacional da Indústria (CNI), em parceria com a PetroReconcavo.
Petróleo: Nordeste em evidência
A ação envolve o contato dos fornecedores com ferramentas essenciais, como medição de emissões e gestão ambiental, além de orientações e workshops sobre descarbonização, inventários e gerenciamento de resíduos. “Muitas vezes, quando a gente fala de ESG, fica um pouco abstrato, principalmente para pequenas e médias empresas. O papel do Procompi foi trazer essa agenda para a vida real, para a aplicação prática”, aponta Luiza Mattei, representante do PetroReconcavo.
Já na opinião de Suzana Peixoto Silveira, coordenadora do Procompi/CNI, a descarbonização vai além do ESG. “É de extrema importância, já que está relacionada à eficiência, à gestão e à competitividade. O Procompi mostra que, ao compreender emissões e organizar processos, os pequenos negócios conseguem se preparar melhor para os desafios da economia de baixo carbono”, arremata.
Desafios globais, vantagens nacionais
Valmir Dias, gerente nacional de Energia e Descarbonização na Embaixada Britânica no Brasil, em artigo à CNN, endossa que a expansão do mercado de baixo carbono perpassa pela estratégia brasileira.
Para o especialista, o país tem inúmeras vantagens estruturais para se desenvolver, incluindo alta disponibilidade de recursos renováveis, capacidade elevada em fontes, como a eólica e solar, além de potencial para produção a custos competitivos, o que inclui a expansão do hidrogênio verde (leia mais sobre o tema no Portal TECNEWS).
“A cooperação internacional, agregando a indústria e sociedade civil, tem sido um vetor para catalisar o aperfeiçoamento regulatório, infraestrutura de transporte e armazenamento, integração com mercados internacionais e acesso a financiamento de longo prazo”, salienta o gestor, destacando o fortalecimento de regras como o Programa Nacional do Hidrogênio (PNH2), que pode ampliar a competitividade brasileira no mercado internacional de energia limpa.
Por Keli Vasconcelos – Jornalista
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