Sustentabilidade

Construção civil: CEHídrica passa a integrar critérios de sustentabilidade do Selo Casa Azul+Caixa

Construção civil CEHídrica passa a integrar critérios de sustentabilidade do Selo Casa Azul+Caixa - Portal Tec News

A gestão estratégica e o uso racional dos recursos hídricos na construção civil brasileira alcançaram um novo patamar institucional. O Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (SindusCon-SP) e a Caixa Econômica Federal formalizaram uma parceria estratégica com a assinatura de um convênio de cooperação técnica para integrar a calculadora CEHídrica aos critérios oficiais de avaliação do Selo Casa Azul+Caixa — principal certificação socioambiental concedida pelo banco a projetos habitacionais sustentáveis no país.

O termo foi assinado pelo presidente do SindusCon-SP, Yorki Estefan, e pela vice-presidente de Habitação da Caixa, Inês Magalhães, durante cerimônia realizada na sede da entidade sindical, na capital paulista. A cooperação técnica prevê não apenas a validação da ferramenta como parâmetro técnico para a obtenção da chancela ambiental, mas também a oferta de um programa de capacitação voltado a engenheiros, arquitetos, projetistas e construtores sobre o funcionamento e a aplicação prática da plataforma.

Disponibilizada de maneira online e 100% gratuita, a CEHídrica foi desenvolvida pelo Comitê de Meio Ambiente do SindusCon-SP (Comasp). A solução tecnológica tem como principal objetivo quantificar, com rigor metodológico, a Pegada Hídrica completa das edificações ao longo de todo o seu ciclo de vida. O cálculo contempla desde a extração, fabricação e transporte dos insumos básicos da construção, passando pelas fases de concepção de projeto e execução no canteiro de obras, até o período operacional e de ocupação do imóvel pelo usuário final.

 

Proposta da CEHídrica

 

A inserção da métrica hídrica nos critérios do Selo Casa Azul+Caixa preenche uma lacuna histórica na mensuração ambiental dos centros urbanos. Conforme diagnósticos elaborados pelo Comasp, nove entre dez problemas ambientais enfrentados atualmente pelas cidades guardam relação direta com a água e com a carência de soluções robustas de saneamento básico e drenagem, fatores essenciais para mitigar os impactos de eventos climáticos extremos e conferir resiliência à infraestrutura urbana.

Estudos do setor apontam que a maior fatia do impacto ambiental de uma edificação concentra-se no consumo contínuo durante a sua fase de uso. Sem instrumentos adequados de medição, torna-se complexo identificar com precisão as etapas de maior pressão hídrica ou orientar escolhas tecnológicas que combinem eficiência, durabilidade e menor pegada ecológica.

A proposta da CEHídrica é justamente consolidar impactos dispersos ao longo da cadeia de valor da construção em indicadores objetivos, comparáveis e auditáveis. Dessa forma, incorporadoras e poder público passam a contar com subsídios técnicos para selecionar sistemas hidráulicos de baixo consumo, especificar materiais construtivos com processos produtivos menos intensivos em água e planejar estruturas de reuso e aproveitamento de águas pluviais com retorno mensurável.

Para o presidente do SindusCon-SP, Yorki Estefan, a integração consolida um histórico bem-sucedido de inovação setorial liderado pela entidade. “A CECarbon se tornou uma ferramenta de alcance nacional, fornecendo relatórios já estruturados no formato exigido pelo sistema financeiro para a análise de emissões de gases de efeito estufa. Agora, esse mesmo movimento de padronização e escala ganha força com a CEHídrica”, ressaltou o dirigente, destacando o papel fomentador da Caixa na agenda ESG da habitação.

 

Atração de capital internacional

 

A evolução dos parâmetros de certificação ambiental também dialoga diretamente com as novas exigências do mercado financeiro global. A vice-presidente de Habitação da Caixa, Inês Magalhães, enfatizou que o avanço da agenda sustentável no crédito imobiliário é um vetor decisivo para atrair linhas de financiamento verdes e captar investimentos externos voltados à infraestrutura social e urbana.

“O Brasil transformou a Habitação de Interesse Social em um segmento dinâmico da economia, com elevada capacidade de geração de emprego e renda. O propósito da Caixa é fomentar um mercado imobiliário sustentável em todas as suas vertentes — econômica, social e ambiental —, aprofundando o rigor das medições ambientais. Esse avanço técnico nos posiciona favoravelmente para a captação de recursos internacionais vinculados a critérios de sustentabilidade”, pontuou a executiva, lembrando que a carência de ferramentas de cálculo no setor tornava a CEHídrica uma inovação indispensável.

Na avaliação de Francisco Vasconcellos, representante do SindusCon-SP, a produção estruturada de indicadores técnicos é o alicerce para desmistificar percepções sobre o desempenho ambiental da indústria da construção civil no país e orientar a formulação de políticas públicas assertivas. A entidade foi uma das primeiras a apoiar institucionalmente a criação do Selo Casa Azul+Caixa.

“A qualidade dos dados é indispensável para desenhar políticas habitacionais eficazes. Nossos indicadores comprovam que a engenharia e a construção civil brasileira operam em padrões muito superiores aos imaginados pelo senso comum. A CECarbon demonstrou essa realidade em relação à matriz de carbono, e a CEHídrica cumpre idêntico papel ao revelar a eficiência hídrica das nossas obras. É fundamental convergir iniciativas ambientais para garantir resultados concretos para o país”, reforçou Vasconcellos.

 

Fortalecimento do Selo Casa Azul+Caixa

 

O Selo Casa Azul+Caixa constitui o principal instrumento de avaliação socioambiental para empreendimentos habitacionais financiados pela instituição, reconhecendo práticas sustentáveis na implantação urbana, eficiência energética, conservação de recursos naturais e desenvolvimento social das comunidades atendidas.

Ao adotar oficialmente a calculadora CEHídrica, o selo eleva o patamar técnico de suas exigências, incentivando toda a cadeia de fornecedores de materiais — como louças, metais, cimento e revestimentos — a adequar seus processos produtivos aos parâmetros de conservação hídrica. A medida fortalece a tomada de decisão corporativa e consolida o planejamento urbano orientado à sustentabilidade e à segurança hídrica das futuras gerações.

 

Foto: Sinduscon-SP/Divulgação