Energia

Setor de energia renovável aposta em tecnologia contra roubos e vandalismo patrimonial

Setor de energia renovável aposta em tecnologia contra roubos e vandalismo patrimonial - Portal Tec News

O encontro entre a economia de baixo carbono e a expansão da transição energética se esbarra em uma demanda desafiadora: vandalismo e roubo de cabos e equipamentos. Para se ter uma noção, de acordo com um levantamento da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel, 2023), tais prejuízos chegaram a espantosos R$ 300 milhões ao setor elétrico.

Já em parques eólicos, os impactos podem ser ainda drásticos: segundo a Briskcom, empresa especializada em soluções de conectividade e segurança para infraestrutura crítica, um aerogerador parado pode representar perdas médias de R$ 30 mil por dia.

Para sanar tal questão, a empresa e a Associação Brasileira de Energia Eólica e Novas Tecnologias (Abeeólica) promoveram o primeiro workshop voltado à segurança patrimonial de parques eólicos no Brasil, em Belo Horizonte (MG). Em pauta, os impactos dessas ocorrências sobre a geração de energia e o papel da tecnologia na mitigação.

Sistemas inteligentes de monitoramento, análise de dados, conectividade em tempo real e integração entre operações e segurança patrimonial estão no rol de controle dessas ocorrências. “Hoje é possível combinar essas tecnologias para reduzir significativamente o tempo de resposta e evitar interrupções. Em um cenário de expansão das fontes renováveis, investir em segurança significa proteger também a disponibilidade de energia à sociedade”, explica Rafael Paz, diretor de Inovação da Briskcom.

 

Evitando prejuízos com roubos

 

Um caso recente aconteceu em uma usina solar na cidade de Perdizes (MG), com prejuízo de R$ 500 mil em equipamentos, como o roubo de materiais e cabos de cobre, incluindo o próprio DVR (Digital Video Recorder ou Gravador Digital de Vídeo) da unidade.

O avistamento de dois drones sobrevoando a usina após a fuga, e uma dessas aeronaves não tripuladas já havia sido avistado na área dias antes do crime. Uma das formas para evitar tal ponto está na detecção antecipada por meio de soluções tecnológicas. De acordo com a Ôguen, empresa do segmento, a segurança perimetral é um passo importante para tomada de decisão de maneira mais célere.

Entretanto, não é possível “abater” drones, já que é tecnicamente complexo e juridicamente restrito no Brasil, alerta a companhia, ao site Segurança Eletrônica: “Quando um drone é detectado, a equipe de segurança recebe o alerta e pode reforçar a vigilância, acionar as autoridades, registrar a ocorrência e tratar aquela instalação como um alvo potencial em estudo”, destaca.

Outra parceria foi entre a concessionária Equatorial Piauí e autoridades policiais, resultando em 215 operações, uma média de 36 ações por mês, somente no primeiro semestre deste ano.

Do total, 48 ações combateram o furto de energia, além de 14 para recuperar materiais, 49 de apoio a cortes e 104 atividades preventivas. A distribuidora também contabilizou 44 autuações policiais e R$ 260 mil em recursos recuperados, considerando equipamentos e materiais apreendidos.

“Isso vai muito além do prejuízo financeiro, já que atos criminosos impactam diretamente a qualidade do fornecimento, a segurança das comunidades e o funcionamento de serviços essenciais”, frisa Johnathan da Costa, gerente corporativo de Segurança Empresarial da concessionária.

 

Por Keli Vasconcelos – Jornalista

Foto: Divulgação (Engie) – Abeeólica