Sustentabilidade

Agosto Dourado: aleitamento materno é gesto de sustentabilidade

Agosto Dourado aleitamento materno é gesto de sustentabilidade - Portal Tec News

Amamentar é um direito e conexão forte entre mãe e bebê e uma atitude sustentável. O ato está alinhado aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 das Nações Unidas, especialmente ao ODS 1 – Erradicação da Pobreza, já que é de baixo custo, sem geração proeminente de resíduos, enaltecendo condições dignas de saúde, nutrição e desenvolvimento humano.

O Agosto Dourado, mês global dedicado a incentivar a prática promovido pela World Alliance for Breastfeeding Action (WABA), abraçou a causa com tema da campanha “Amamentação para um Começo de Vida Sustentável: Fortaleça o que Funciona”, reforçando que o aleitamento materno é um conjunto de fatores de sustentabilidade ambiental, segurança alimentar e igualdade social.

Em Ananindeua (PA), a prefeitura, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (Sesau), promoveu uma vivência com mães no Parque Cultural Vila Maguary, com palestras e acolhimento sobre os benefícios da prática, incentivando sua exclusividade até os seis meses de vida. “O aleitamento materno é muito importante e principalmente porque oferece todos os nutrientes que o bebê precisa ao decorrer da sua vida; é a primeira imunização”, comentou a palestrante Ellen Melo, diretora da Maternidade Infantil da cidade.

 

Aleitamento materno e odontologia

 

Especialistas recomendam o acompanhamento odontológico durante a gravidez, já que a futura mãe recebe orientações sobre o desenvolvimento da boca da criança, identificando precocemente alterações que possam dificultar a amamentação. Também é o momento de a própria gestante passar por uma avaliação, já que as alterações hormonais aumentam a vascularização da gengiva e, consequentemente, suscetibilidade a doenças periodontais.

Outro ponto sensível é quando se utiliza mamadeiras, predominantemente feitas de plástico e que, no Brasil, são proibidas a fabricação com Bisfenol A (saiba mais no estudo do Instituto Alana, neste link). Não que seja um impeditivo esse uso, mas é importante que o aleitamento seja mantido ao máximo, pois o leite materno dispensa processos industriais, bem como não há apelo de consumo de produtos para esse fim.

No país, aliás, a Norma Brasileira de Comercialização de Alimentos para Lactentes e Crianças de Primeira Infância (NBCAL) estabelece regras para publicidade, rotulagem e a comercialização de tais itens (fórmulas infantis, mamadeiras, bicos e chupetas), conforme explica Ana Karolina Coelho, cirurgiã-dentista, mestranda e integrante do Grupo de Pesquisa Biologia do Desenvolvimento e Saúde Infantil da Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto, da Universidade de São Paulo (FORP-USP).

“Ao resguardar a amamentação das interferências do mercado, a norma atua na contenção do impacto ecológico diretamente na fonte, antes que os insumos sejam extraídos ou descartados no meio ambiente”, comenta a pesquisadora, ao Jornal da USP.

 

Por Keli Vasconcelos – Jornalista

Foto:  Leandro Santana – Prefeitura de Ananindeua (PA)