As bacias hidrográficas presentes no território nacional estão nas pautas de articulações globais em meio ambiente, por conta do cenário de emergência climática e de fenômenos altamente críticos, com o Super El Niño (confira conteúdo especial no Portal TECNEWS).
O assunto capitaneou um debate estratégico realizado recentemente em Manaus pelo Pacto Global da ONU – Rede Brasil, por meio do Movimento +Água, na concessionária Águas de Manaus, reunindo pesquisadores, lideranças comunitárias e representantes do setor privado.
A dignidade hídrica foi também um dos norteadores das conversas, com a partilha de saberes e importância da universalização da água nos territórios amazonenses. “Depois de muita luta, conseguimos levar água potável para a nossa comunidade, e isso foi a realização de um sonho. Temos um poço e mais segurança para as famílias. Agora, nosso próximo sonho é a rede de esgoto, que é uma necessidade de todos”, comemora Cacica Fran, moradora da Cachoeira Alta, no Tarumã.
União de esforços para sair do discurso
Para Mônica Gregori, diretora de Impacto e Comunicação do Pacto Global da ONU – Rede Brasil, durante sua passagem na SP Climate Week, a gestão hídrica corporativa segue fragmentada, mesmo com avanços na agenda.
Ou seja, a segurança hídrica não compete apenas a uma determinada empresa ou segmento, mas envolve inúmeros conjuntos, de saneamento a bebidas, de consumo a infraestrutura, já não cabendo mais dentro dos limites de uma única operação.
“É preciso migrar de uma lógica operacional, o que cada empresa faz dentro do seu perímetro, para uma lógica territorial, organizada por bacia hidrográfica. Isso significa criar estruturas de coordenação entre empresas de uma mesma região para responder juntas a eventos climáticos extremos, compartilhar dados sobre bacias críticas e construir, de forma coletiva, os investimentos que nenhuma empresa sozinha consegue sustentar”, endossa a especialista.
COP17 destaca bacias hidrográficas
Ulaanbaatar, na Mongólia, recebeu a 17ª Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP17/UNCCD), que teve como propósito discutir recursos hídricos, recuperação de áreas degradadas, segurança alimentar e convivência sustentável em um cenário de seca e estiagem.
O Brasil apresentou a Meta Voluntária de Neutralidade da Degradação da Terra (LDN) para 2030, com o compromisso de evitar, reduzir e reverter a degradação de 16,3 milhões de hectares de vegetação nativa.
Na oportunidade também foram descritas iniciativas a unidades de conservação e bacias hidrográficas, com 17 submetas vinculadas a políticas, planos e programas nacionais, atuando nas três frentes previstas pela UNCCD: recuperar ou restaurar terras degradadas, reduzir os processos de degradação em curso e evitar novas degradações.
O ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, destaca que o compromisso se transforma em ações concretas: “Essa agenda é fundamental porque solos saudáveis sustentam a produção agropecuária, a segurança alimentar, a biodiversidade e a disponibilidade de água. Com eventos climáticos extremos cada vez mais frequentes e intensos, proteger e recuperar a terra é também fortalecer nossa capacidade de produzir alimentos, gerar renda e aumentar a resiliência das populações e dos territórios”.
Por Keli Vasconcelos – Jornalista
Foto: Divulgação – Águas de Manaus




