Sustentabilidade

Agroecologia: conservação da natureza é caminho para alimentação saudável

Agroecologia conservação da natureza é caminho para alimentação saudável - Portal Tec News

Detalhamos no TECNEWS sobre as Soluções baseadas na Natureza (SbN) e como é determinante para conservar recursos naturais e promover a manutenção de necessidades básicas, como a alimentação. E produtores rurais, por meio de parcerias e iniciativas de agroecologia, estão investindo cada vez mais nisso para adaptar suas rotinas, em um cenário de mudanças climáticas desafiador.

A conservação da vegetação nativa para melhoria do solo é uma delas, com manejo correto para não ocorrer erosões em períodos de chuvas intensas, e também manter a umidade, reduzindo a necessidade de irrigação nas estiagens.

É o caso da agricultora familiar Luciane Zielinski Grupinzaki, que cultiva hortaliças em uma propriedade de seis hectares em São José dos Pinhais (PR), adotando o Sistema de Plantio Direto de Hortaliças (SPDH), baseado em três pilares: o não revolvimento do solo, a cobertura permanente e a rotação de culturas.

“Quando cubro o solo, estou mantendo os nutrientes e água. Se estivesse descoberto, a chuva levaria tudo embora. Tivemos cerca de 50% de redução nos custos com mão de obra e insumos por conta desse sistema”, afirma a agroprodutora, que conserva metade de sua área com mata nativa, árvores frutíferas e diversas nascentes protegidas por cobertura vegetal.

Guilherme Karam, gerente de Economia da Biodiversidade da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza, que fomenta o Movimento Viva Água, idealizado pela Fundação, comenta que na prática, as SBN já fazem parte do cotidiano dos produtores rurais brasileiros.

“Sistemas agroflorestais, cobertura permanente do solo, recuperação de nascentes e manejo ecológico da lavoura ajudam a conservar recursos hídricos e aumentar a capacidade das propriedades de enfrentar eventos climáticos extremos”, explica o gestor da iniciativa, cujo foco é articular com proprietários rurais, poder público e setor privado para agir a favor da segurança das bacias hidrográficas.

 

Agroecologia

 

Um estudo conduzido pela Capital for Climate em parceria com a Deloitte Brasil mostra que iniciativas SbN atraem investidores e tem retorno médio de 21,4% em cerca de dez anos para fundos de private equity e venture capital, além de estimativa de 12% em seis anos em instrumentos de crédito privado.

A agroecologia é uma dessas práticas que, literalmente, rendem frutos. Em Cascavel (PR), o 3º Show Agroecológico na Vitrine Tecnológica de Agroecologia (Vital), recebeu estudantes, agricultores familiares, técnicos e profissionais para discutir o tema “Inovação e resiliência às emergências climáticas: tecnologias para o manejo sustentável de plantas espontâneas”.

Fomentado pela Coopavel (Cooperativa Agroindustrial), o evento teve como pilar a valorização de soluções que vão de bioinsumos ao turismo rural. Para a cooperativa, a agroecologia não se restringe a substituir técnicas ou produtos, mas envolve vários contextos, como biodiversidade, geração de renda, organização dos mercados e aproveitamento dos recursos disponíveis.

“Nesse contexto, até mesmo as chamadas plantas espontâneas passam a ser analisadas sob uma lógica de manejo e equilíbrio do agroecossistema, e não apenas de eliminação”, reforça comunicado.

 

Industrializados e sustentabilidade

 

Ao observar esse cenário, quem vive nos grandes centros pode imaginar que agroecologia e alimentação saudável estão longe do prato, mas é possível encontrar maneiras de comer e não impactar negativamente o meio ambiente e a própria saúde.

Uma pesquisa sobre impactos positivos ou negativos de 33 alimentos mais populares no Brasil para a saúde e o meio ambiente (2025, mais informações no site da Agência Bori) revela que, por exemplo, a pizza de muçarela consome mais de 306 litros de água na sua produção para uma porção média de 280 gramas, enquanto alimentos in natura, como a banana, emite somente 0,1 kg de CO₂ equivalente e usa 14,8 litros de água por porção.

O estudo foi feito por pesquisadores das universidades de São Paulo (USP), do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e Técnica da Dinamarca (DTU). Para uma das pesquisadoras, Marhya Júlia Silva Leite, esse material pode contribuir para iniciativas de agricultura familiar e produtos minimamente processados, como feijões, promovendo sistemas alimentares mais resilientes, justos e sustentáveis.

 

Por Keli Vasconcelos – Jornalista

Foto: Vinícius Grosbelli