Termos como due diligence, greenwashing e responsabilidade ESG fazem parte da agenda das empresas, porém um método muitas vezes não é levado em conta: o diagnóstico GRC. É o processo de avaliação que une Governança, Riscos e Compliance (GRC) aos critérios ESG, medindo o nível de maturidade corporativa, identificando falhas e apontando pontos regulatórios sensíveis ou socioambientais para criar planos de ação eficientes.
Cristiane Almeida, CEO e fundadora da consultoria Engaja Brasil – especializada na elaboração de diagnóstico ESG/GRC adaptado ao Terceiro Setor, com relatório de recomendações e trilha de desenvolvimento – explica que a due diligence é capaz de reduzir riscos de problemas já identificados, já a governança tem o poder de prever e diminuir fraudes futuras – e isso não se restringe a grandes negócios, mas a todos os tipos de segmento, o que inclui organizações parceiras e investimentos em ONGs.
“Sem governança, gestão de riscos, controles internos, políticas de integridade e transparência institucional, as organizações ficam mais expostas a conflitos de interesse, fragilidades administrativas, instrumentalização política e riscos de corrupção. Inevitavelmente, isso pode gerar problemas reputacionais também às empresas parceiras”, destaca Almeida em seu artigo.
Diagnóstico GRC e a cultura ESG
OK, o diagnóstico foi feito e as alterações realizadas, mas essa avaliação não se liquida em um relatório de sustentabilidade, com indicadores e certificações primorosos. O segredo está na permanência e continuidade dessas iniciativas ao longo do tempo, ou seja, na construção de uma cultura alinhada aos princípios ESG/GRC.
Para se ter uma ideia, um levantamento da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham, 2025) mostra que oito em cada 10 empresas já adotam-práticas ESG, porém comprovar o seu retorno é ainda uma tarefa desafiadora.
Na opinião da advogada Silene Bueno de Godoy Purificação, consultora ambiental e coordenadora de Pós-graduação no Senac São Paulo, em artigo ao Hotelier News, a legitimidade na hotelaria não depende apenas de resultado, mas da maneira que isso foi alcançado. Em um setor tão ligado ao bem-estar humano, a especialista endossa em seu artigo que do hóspede à comunidade no entorno do empreendimento observa a coerência entre o discurso institucional e as práticas feitas efetivamente.
“Essa coerência se manifesta em situações cotidianas, como contratação de pessoas, proteção dos dados pessoais dos hóspedes; seleção de fornecedores comprometidos com práticas trabalhistas e socioambientais responsáveis; e comunicação transparente sobre resultados e desafios relacionados à sustentabilidade”, enumera a especialista.
No (p)rumo certo
Para Luiz Alexandre Garcia, presidente do Conselho de Administração do Grupo Algar, em artigo ao Segs, o recado é claro: quem recuar dessa agenda está ignorando uma transformação profunda e irreversível; a do próprio papel das corporações na sociedade.
“Uma governança corporativa madura, que preza pela transparência nas decisões e pela responsabilidade em suas ações, traduz-se em relações mais sólidas com todos os seus públicos. Afinal, é justamente em períodos de incerteza que uma empresa com governança sólida se revela o principal ativo para manter o curso, guiada por valores claros e visão de futuro que não se abala por turbulências momentâneas”, finaliza o executivo.
Por Keli Vasconcelos – Jornalista
Foto: Erwin Bosman por Pixabay




